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domingo, 21 de dezembro de 2014

Surpreendente compensação?

Justamente no final do ano em que a superestimada "seleção" brasileira (que não é tratada como se fosse uma equipe de futebol e sim como símbolo cívico oficialesco) teve uma derrota retumbante na copa que tentou organizar, outro esporte, muito mais impopular que o futebol, consagraria sua inédita vitória mundial: o surfe.

O brasileiro Gabriel Medina acaba de se consagrar como campeão mundial deste ano, feito que nenhum brasileiro havia conseguido. Claro que os hipócritas de plantão, gente que sempre afirmou detestar surfe por ser "esporte de playboyzinho", postou sua falsa comemoração nas redes sociais para não parecer que "só gosta de futebol". Sabe-se que nas redes sociais e nos blogues, o fanatismo pelo futebol é altamente criticado, embora essas críticas não consigam mudar os costumes desses fanáticos, que pelo jeito, topam numa boa cometer gafes em nome do futebol. Se bem que gafes cometidas por maiorias não soam como gafes.

É irônico que Medina tenha ganhado seu título justamente neste ano. Outro esporte, o automobilismo, teve outra vitória surpreendente este ano, pois Rubens Barrichello, alvo de tantas piadas sobre sua falta de sorte na Fórmula 1, mudou de categoria e ganhou um importante título na stock car, onde carros de passeio são adaptados para correr em alta velocidade.

Claro que os brasileiros, apesar de demonstrar alguma alegria com essas vitórias, não parece satisfeito. Vencer nestas modalidades esportivas parece não ter muita graça para os brasileiros. Legal mesmo era ter obtido o hexacampeonato em casa. Brasileiros, um povo acomodado, viciado em seus costumes mais banais, bravos defensores de suas zonas de conforto, só querem mesmo é vitória no futebol. Vitórias em outros esportes são supérfluas, podem ou não ocorrer, não importa. 

O que marcou para a grande massa de alienados, foi a humilhante derrota na copa. Para a massa, nenhuma vitória em outras modalidades esportivas compensa uma derrota no futebol. Recusamos a nossa vocação para a diversidade, aprendendo a gostar de uma coisa só. 

Parabéns, Medina! Parabéns, Barrichello! Que venham muitas vitórias em outros esportes para acabar com o monopólio narcotizante do ultra-estimado futebol.

domingo, 20 de julho de 2014

Estão falando que vitória da Alemanha foi marmelada. E se fosse o Brasil?

Brasileiros são um povo infantil. Futebol para eles é máxima prioridade. O resto, mesmo que seja de fato mais essencial, é considerado supérfluo. O Brasil tem que ser o melhor no futebol. O resto é detalhe. E justamente este pensamento permite um monte de incoerências e contradições. Quando o futebol entra em campo, o cérebro coletivo do povo brasileiro entra em pane e trava. 

Com a derrota de seu maior sonho, a torcida agora está espalhando para Deus e o mundo que a vitória da Alemanha foi marmelada, que a copa foi desonesta, patati, patatá. Mal sabem eles que toda essa marmelada é natural, que faz parte do espetáculo (futebol é só lazer, estúpido!), como uma novela ou filme de enredo construído com final já determinado.

Mesmo assim, a Alemanha ganhou merecidamente pois teve de fato um excelente desempenho. Mas alemães são um povo mais amadurecido, que sabe resolver os seus problemas, saindo de crises com bastante sabedoria e consequência. Não confunde futebol com patriotismo e nem depende desta modalidade esportiva para ter auto-estima e orgulho de sua nação. Mereceu ganhar, e ponto final.

Mas se fossem os brasileiros? Iriam dizer que foi marmelada? Não iriam, embora de fato os brasileiros só ganhem com marmelada. A copa de 2002 foi ganha muito facilmente, repetindo uma campanha desonesta que a França havia feito na copa anterior. Desde 1986 o futebol brasileiro não apresenta qualidade, tendo o seu futebol-arte substituído pelo futebol-negócio, com direito a jogadores de proveta, apoiados em muito marketing.

O mito de "melhor futebol do mundo" caiu há anos, mas a publicidade maciça não deixa nenhum brasileiro saber disso. E ganhar copas com pênaltis e manobras é muito fácil. O futebol é um esporte que permite que equipes ruins vençam e para manter a fama de "melhores" os piores topam tudo.

Claro que quando um ladrão rouba para nos favorecer, ninguém fala. O ladrão nos beneficiou. Roubou, mas entramos no lucro. Então pra quê dizer que a copa de 2002 foi conquistada desonestamente? Se tivessem ganho o hexa em casa com um time claramente ruim, caracterizado pela onipotência de um jogador medíocre como o Neymar (keting), que no Barcelona não consegue mostrar o suposto talento tão alardeado pela publicidade, ninguém iria perceber que foi na fraude? 

Ora, vamos ser justos. O futebol brasileiro nunca foi exatamente essa maravilha, exceto em um período. O seu auge foi na década de 80 com uma geração de jogadores com verdadeira qualidade que se não ganhou as copas de 1982 e 1986, pelo menos demonstrou um futebol honesto e humilde, que não precisava de publicidade martelante para se mostrar de qualidade. 

Depois de então, com o futebol-negócio, sobram os mercenários que ganham rios de dinheiro, topando todas para serem considerados por uma população majoritariamente de ignorantes como "melhores do mundo", chegando a decepcionar a todos numa real derrota de 7 a um que não era surpresa para quem conhecia as armações por trás do futebol brasileiro. 

A humilhante derrota que a "seleção" sofreu contra a Alemanha (logo a que venceu a copa) pode ter parecido absurda para a maioria ("os melhores perdendo desse jeito? como assim?", diriam os torcedores praticamente em coro) mas sinalizava uma realidade difícil de engolir: não somos os melhores do futebol. O futebol-arte está morto e enterrado.

Talvez as acusações de roubos e compras de resultados tivessem feito com que a FIFA desistisse de entregar o hexacampeonato aos brasileiros. Animados com a saída de muitas seleções de talento, os brasileiros tinham como certa a conquista do título em domicílio e quebraram a cara quando viram sua equipe de amarelos enfrentar seleções de peso como a Alemanha e a Holanda, mostrando a triste realidade que milhões de alienados não gostariam de ver.

A Alemanha ganhou com mérito. Lutou para isso (mesmo que o futebol seja um esportinho medíocre, mais fácil que outras modalidades esportivas). Do contrário que os brasileiros, equipe fraca de mercenários e arrogantes jogadores, superestimada pela publicidade e pelas tradições sociais, cujo hexacampeonato só seria conquistado no roubo, na falcatrua, na desonestidade. 

O Brasil do jeitinho sentiu falta de suas manobras ilícitas para entregar um cobiçado título na própria casa. Uma falsa honra que os alienados torcedores tiveram que cancelar. Bem vindos à realidade!

domingo, 13 de julho de 2014

Brasileiros sempre vão arrumar um jeito de dizer que o futebol é importante

Quando o vício é muito forte, fica difícil largar. Ainda mais quando o vício é repartido por uma imensa quantidade de pessoas e aprovado por autoridades e largamente difundido pela mídia. 

Tenho lido pela internet muitos textos reagindo às críticas do fanatismo futebolístico. Os entusiastas do futebol, incluindo os patriotas de copa que fingem gostar do mesmo só para não ser excluído da sociedade, se incomodaram com o - suposto - fim da unanimidade do futebol. 

Para quem não sabe, o mito da unanimidade (falso, pois futebol nunca foi unânime) é um dos principais motivos que dão prazer para quem é aficionado pela famosa modalidade esportiva. Descobrir que existem brasileiros dispostos a passar bem longe de um gramado e que não trata Neymar como se fosse seu parente, incomodou muito os torcedores que sempre acreditavam que o gosto pelo futebol fosse biológico.

Ao ver essa unanimidade rompida e os excessos (de uma vez por todas: não criticamos "O" futebol e sim aos seus excessos e reprovamos o fato de uma forma de lazer ser tratada com tanta seriedade) questionados, os entusiastas do futebol se apressaram a escrever textos e mais textos, alguns com absurdas teses forjadas, tentando justificar a seriedade com que o futebol é tratado.

E bote absurdas nisso. Não vou ficar citando tais teses, pois não é o propósito desta postagem. Até porque está muito fácil achá-las. A internet não para de exibir textos deste tipo, na tentativa frustrada de devolver a (falsa) unanimidade ao futebol.

O que os defensores do futebol não conseguem perceber é que o futebol não passa de uma diversão supérflua. E é realmente estranho ver quase toda uma população tratando um lazer supérfluo como se fosse assunto de segurança nacional. 

Interessante que eles se ofendem quando chamamos de burros, mas ao ler a maioria dos textos, salvo raras exceções, nota-se uma limitada linha de raciocínio, como se eles se esquecessem de alguns detalhes na hora de argumentar sua defesa. Além de que muitos textos pró-futebol não passam de um vergonhoso desfile de asneiras, coisa típica de quem prefere descansar o cérebro na hora da diversão.

Não torço pelo fim do futebol. Torço para que ele um dia seja tratado como forma comum de lazer. Como se fosse um esporte como outro qualquer. Que a copa de futebol seja tratada como as outras copas, sem parar o país, sem monopolizar os assuntos e sem gritarias na janela de minha casa. E para isso, o mito construído em torno do futebol tem que ruir. O futebol brasileiro, sobretudo a "seleção" e os times prestigiados tem que amargar sucessivas derrotas para quebrar o encanto e forçar o amadurecimento coletivo da sociedade brasileira. Que cá pra nós, não é nada amadurecida.

Pois colocar uma forma de lazer supérfluo como interesse máximo de uma nação lembra muito as crianças que preferem brincar do que estudar. E por muito tempo essa brincadeira do futebol não parece ter mais graça. 

sábado, 5 de julho de 2014

Vitória com gosto de derrota

Ontem mais uma vez a "seleção" repetiu a sua rotina de vitórias em copa. Estava ficando cada vez mais fácil. Mas agora não vai ficar. A sua maior estrela, Neymar - que segundo as más línguas, carrega sozinho as responsabilidades de sua equipe - acabou se machucando gravemente e não houve jeito: foi eliminado da copa, desfalcando radicalmente a "seleção". Desta vez nem a Nike pode salvá-lo do grave dano físico que quase o aleijou. 

Agora, sem a sua maior estrela e sem o capitão - expulso no último jogo e punido com a eliminação - a equipe de amarelados entra com a moral baixa no próximo jogo, o primeiro desta copa a enfrentar uma seleção forte, a Alemanha, que se ganhar, poderá virar Tetra, ameaçando a falsa hegemonia do futebol brasileiro, que para quem é bem informado, não é a melhor do mundo coisa nenhuma. Um mito tão falso quanto coelhinhos da páscoa que bota ovos feitos de chocolate.

E assim, o sonho do "hexa" fica ameaçado, logo em sua própria casa. Até porque se observarmos o desempenho dos jogadores amarelados até agora, chega-se a conclusão de que ela foi naturalmente eliminada. Porque até agora a "seleção" foi Neymar. Sem ele, a equipe que entra é totalmente diferente. Muito longe da mitologia mágica que o cercava.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Pais ensinam aos filhos o "valor" do futebol. Ensinar a pensar, nem pensar!

E muito comum que pais usem os filhos como "espelho" de suas próprias ilusões. Fazer filhos é fácil, mas criá-los é difícil. Educá-los é mais difícil ainda e para muitos pais, "educar" e na verdade transferir os valores em que acreditam para os cérebros em formação dos pobres inocentes. Valores certos, mas valores errados também.

Brasileiros adultos também costumam ser bastante ingênuos. Construíram seu acervo de convicções com base na fé e não na razão. A mídia e as regras sociais, por meio de indivíduos socialmente prestigiados, lhes deu todas as ideias devidamente "mastigadas" para que a população apenas absorva e ponha em prática. Muitas vezes são ideias pessoais de quem as lança e muitas vezes opostas aquilo que a lógica e o bom senso conseguem provar.

E são esses valores aprendidos através da mídia e das tradições sociais, adquiridos sem qualquer tipo de verificação, que os pais transferem aos filhos como desculpa de que "estão educando". São na verdade erros que são passados adiante, de geração a geração. Não é de surpreender ver problemas seculares durando até hoje. Com ideias erradas sobrevivendo gerações, é lógico que as consequências dessas ideias erradas sejam mantidas décadas e até séculos.

Brasileiros são um povo que até agora não sabe como resolver seus problemas cotidianos. E como não sabe, prefere fugir deles através de ilusões. Religião, drogas, lazer fútil e principalmente futebol, fazem parte desse conjunto de "abrigos" feitos para aqueles que se recusam, por não querer, por não saber ou até por medo mesmo, a enfrentar os verdadeiros desafios do cotidiano que não se resumem a ir ao trabalho todos os dias para fazer as vontades de chefes mau humorados.

O futebol, a maior dessas fugas, é muito usado, sobretudo pelos pais na hora e transmitirem suas ilusões e frustrações para os seus filhos, pensando que estão os educando. Um site brasileiro de celebridades mostrou uma apresentadora, mulher de um apresentador conhecido pelo seu nariz proeminente (e de grande influencia social), vestindo seus filhos com os cores do uniforme da "seleção". Interessante lembrar que para os pais que cometem esse erro (lazer não se impõe), eles estão "educando" seus filhos. Com isso nada muda.

E o mais interessante ainda e ver os mesmos pais se recusando a ensinar seus filhos a pensar. Se não bastasse o fato de ensinar o "futebol" ser algo bem  supérfluo, os pais cometem o agressivo equivoco de obrigar seus filhos a terem o mesmo gosto pelo lazer. Ao invés de esperar o interesse se manifestar em seus filhos, preferem impor seus gostos pessoais aos pequenos, acreditando que "não estão fazendo mal algum". Mesmo não sendo um mal aparente (a noção de bem e mal dos brasileiros é estereotipada), essa imposição pode gerar danos graves aos filhos, que só são perceptíveis por quem sofre e por quem tem o discernimento bem desenvolvido.

Mas não se vê o mesmo empenho dos pais na hora de ensiná-los a pensar e decidir, o que seria muito mais relevante em matéria de educação. Mas talvez para esses pais ensinar o filho a pensar fosse ruim: além do risco dos filhos se tornarem desobedientes, superarão os pais em intelecto, frustando ainda mais os pais, cheios de frustrações que os obrigam a viver encastelados em ilusões de todos os tipos.

Por isso mesmo é muito mais confortável ensinar seus filhos a gostar de futebol. Com isso ensinam aos seus filhos o "valor" da obediência cega, além de usá-los como executores das ilusões paternas, fazendo com que a cada geração a sociedade piore como um todo, se tornando incapaz de resolver  os problemas que só crescem a cada ano (lembrando que o desenvolvimento tecnológico nos traz novos tipos de problemas, ainda mais complexos). 

E dá-lhe mais ilusões como um confortável abrigo para os brasileiros fugirem desses problemas, criando um ciclo vicioso que nunca acaba.

sábado, 28 de junho de 2014

Conto de fadas perdoa corrupção


Um livro que comecei a ler, O Lado Sujo do Futebol, está mostrando o que eu estava careca de saber, mas não tinha como comprovar: futebol é um antro de corrupção e cartas marcadas. Muita gente sabe que onde entra poder e muito dinheiro, entra também um festival de irregularidades.


Mas o povo, mesmo desconfiado, prefere ficar longe disso. Prefere ignorar as denúncias do livro e retomar a sua infantilesca ilusão. O clima de contos de fadas anexado ao futebol e transmitido a gerações por muitos anos, graças a um complexo, poderoso e exclusivo sistema de publicidade bélica e insistente, é muito forte e arraigado para ser deixado de lado.

Os brasileiros gostam de futebol porque são induzidos a isso. Uma prova de sucesso absoluto de um trabalho publicitário muito bem executado. E não há quem tire os brasileiros desse fanatismo hipnotizante. Nem mesmo as surpreendentes, mas realistas denúncias de corrupção de seus ídolos ("rei morto, rei posto", é o que a tradição diz).

Essa publicidade, que já é armada pelos barões do futebol, os verdadeiros jogadores dessa copa, feita para colocar os dirigentes brasileiros na cúpula da FIFA, além de colocar os brasileiros em uma hipnótica submissão ao futebol, onde se comportam como verdadeiros reféns, transforma a sua ilusão em razão de viver, pois torcedores, gritam, brigam, matam e morrem por causa dessa emoção barata do futebol.

E justamente por serem reféns, preferem continuar com esta síndrome de Estocolmo de amar o seu sequestrador, o mais corrupto dos esportes, fazendo de tudo para dissociá-lo da triste realidade que a população se recusa a enxergar. Crendo na falácia de que os jogadores, cúmplices deste esquema, foram tão enganados quanto a população de torcedores.

Triste ver uma submissão absoluta a um esporte tão medíocre e tao corrupto. Mais uma vez vemos a ingênua população brasileira completamente emburrecida e cega pela luz artificial daquilo que preferem considerar como seu "maior prazer".

Quem ganha dinheiro com o futebol agradece a esta submissão e certamente irá trabalhar para que a santa hipnose de cada 4 anos se mantenha, transformando uma ilusão em realidade maior e fazendo com que os brasileiros briguem pelo direito de serem enganados. Igualzinho naquela fábula do cavalo de Tróia, em que a população, iludida pela beleza de uma bela estátua, é seguidamente atacada por soldados que estava dentro dela, após ignorar avisos de prevenção.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Justificativas mais comuns para tentar classificar o futebol como "importante"

O brasileiro é fanático por futebol. Fanático no PIOR sentido da palavra. A sua adoração doentia por futebol é infantil, irresponsável e extremamente ridícula. Nesta época do ano, os brasileiros passam a agir feito imbecis e se acham no direito de ser imbecis, desde que não sejam chamados de imbecis.

E entre as imbecilidades do brasileiro em épocas de copa é associar futebol a patriotismo, como se a dignidade do brasileiro dependesse da vitória em um supérfluo e inócuo campeonato de futebol. E não faltam pessoas que saem a procura de argumentos e justificativas para a excessiva importância dada ao futebol.

Sendo extremamente popular, mas ao mesmo tempo ridículo, para muitos é menos trabalhoso tentar inventar uma importância ao futebol do que assumir a sua ridiculosidade e abandonar o hobby que garante o bem estar social para a maioria dos brasileiros.

Bom lembrar que antes de tudo, o ato de gostar de futebol, mais ainda em épocas de copa, é uma obrigação social, quase uma regra de etiqueta. E brasileiros, sendo seres sociais como todo ser humano, sabem muito bem que abrir mão do futebol é abrir mão de direitos que somente o adequado convívio social pode oferecer.

Por isso mesmo, para tentar tirar o título de "ridículo" daquilo que eles não querem ou não podem largar, arrumam argumentos mais ou menos nobres para que o futebol possa ser visto como "importante" e que justifique a sua dedicação quase exclusiva em épocas de copa. Vamos a algumas delas:

1) Futebol traz dignidade ao país

Futebol nada tem a ver com dignidade. É uma forma de lazer. Sermos considerados o melhor no futebol não traz nenhum tipo de ganho para o cotidiano dos brasileiros. E isso já é comprovado através das 5 vitórias que tivemos. Influiu em alguma melhoria? Claro que não! Mas ainda tem muita gente que ainda acredita que a vitória no futebol ainda vai eliminar os nossos problemas...

2) Futebol é oportunidade para o povo pobre

Em termos. O futebol serve como uma loteria onde apenas uma esmagada minoria de garotos pobres, portadores de muita sorte, consegue ganhar dinheiro e mudar de vida, abandonando a miséria. Além disso, por desestimular a educação, mesmo o garoto pobre que vira magnata só por chutar umas bolinhas, continua tão "sábio" quanto era antes, demonstrando muitas vezes uma vida irresponsável, passiva, submissa e extremamente alienada, provando que o enriquecimento financeiro não ajudou no enriquecimento intelectual do ex-pobretão.

3) Futebol dá alegria ao povo

Alegria? Que alegria? Ao menos que você não saiba o que é alegria, não dá para concordar com este argumento. A alegria que o futebol proporciona é ficcional, é ilusória. Não é uma alegria concreta. O futebol não traz benefícios aos seus torcedores, apenas os entretêm. É mais fácil classificar o futebol como uma fuga dos problemas do que um gerador de felicidade. 

E observando melhor, sabe-se que pelo menos 90% dos que curtem futebol tem uma personalidade passiva, submissa, piegas e demonstram total desprezo a mudanças radicais e também adoram seguir regras e obedecer líderes. Como uma pessoa assim pode desejar a verdadeira felicidade através de uma mera ilusão?

E outra coisa: comediantes também dão alegria ao povo e ninguém fica dizendo que nomes como Fábio Porchat e Paulo Gustavo são heróis só porque fazem as pessoas sorrirem. Não se vê no humor os mesmos tipos de comentário que se veem no futebol, mesmo que o tipo de alegria adquirida seja o mesmo.

4) Futebol une pessoas de diferentes classes, credos, raças e ideologias

Pura hipocrisia acreditar que pessoas que em outras situações vivem se digladiando, possam se unir durante duas horinhas para curtir um prazer em comum. É um forçamento de barra para transformar o futebol em ativismo social. 

E será que temos que depender de um mero lazerzinho para fazer a humanidade aprender a se unir? Sinceramente, conheço formas muito mais nobres para ensinar as pessoas a amar e se respeitar do que o futebol. 

Lembrando que o mesmo futebol que une pessoas diferentes pode separar relações de afeto onde uma das pessoas, ou mais, não curte futebol.

5) Futebol nos ensina a ser patriotas

Que absurdo! Quer dizer que o Brasil não é um país, é um time de 11 jogadores? Na verdade, quanto a isso, o futebol faz justamente o contrário: dá uma noção erradíssima do que é patriotismo, banaliza símbolos cívicos e mantém os torcedores bem longe do verdadeiro patriotismo, aquele que luta bravamente (sem medo de ser morto por policiais submissos a governos e empresários) pela melhoria de nossa sociedade. 

O país é a população, não o futebol. O Brasil continuará existindo se o futebol for extinto.

6) Futebol favorece  a nossa economia

O Brasil tem inúmeros produtos que fazem a economia funcionar. O futebol não passa de uma delas e das mais pífias. Embora muito dinheiro role pelos gramados, temos muitos outros motivos para que o sistema de produção de mercadorias e serviços e de geração de renda seja mantido em intensa movimentação. O futebol ajuda, mas sem ele continuamos a crescer, graças a imensa diversidade de produtos e serviços que temos condições de oferecer.

7) Futebol nos dá orgulho

Se fôssemos um país pequeno e sem diversidade, esse argumento até que faria algum sentido. mas essa declaração soa ofensiva se lembrarmos que somos parte de um país imenso e totalmente diversificado. 

Somente a baixa auto-estima (complexo de vira-lata) pode fazer que uma reles brincadeirinha seja vista como motivo maior de orgulho. E a nossa cultura? E as nossas belezas naturais? E a nossa culinária?  E a nossa ciência?  E a nossa gente? E as outras modalidades esportivas? Isso tudo não nos dá orgulho? 

Querer que o futebol seja única fonte de orgulho é pensar pequeno.

8) O futebol nos representa lá fora

Como se não tivéssemos outro motivo para nos fazer conhecidos no exterior. É até chato para um brasileiro ser famoso por uma coisa só. Parece gafe de autista: lá vem os estrangeiros rirem de nossa cara porque superestimamos uma forma de lazer. 

Até mesmo sociedades fanáticas por futebol, como a Alemanha, a Inglaterra e a Argentina, sabem colocar as coisas no lugar e acham muita graça do nosso "patriotismo de copa" onde país e time de futebol são embaralhados e inversamente idolatrados. Lembrando que nossa diversidade oferece muitas coisas muito melhores do que o reles futebol, para sermos conhecidos no exterior.

9) Futebol tira os jovens das drogas

Essa é a falácia mais cara de pau defendida por quem curte futebol. Como se tirar os jovens das drogas estivesse incluído entre as regras de prática desta modalidade esportiva. A lógica mostra que o futebol nada tem a ver com sua capacidade de desviar o jovem das drogas e que é faz isso é um bom trabalho educacional, que pode ser feito até com quem odeia futebol (ou seja, não é preciso futebol para tirar jovens das drogas). Por outro lado, em alguns casos, o futebol pode até apresentar os jovens às drogas: 

a) jogadores famosos se envolvem com celebridades, meio onde circula muitas drogas; 
b) por ser uma atividade competitiva, esteroides, anabolizantes ou qualquer substância pode ser usada para o aumento de desempenho. Muitas dessas substâncias podem até viciar e gerar graves danos ao organismo.
c) Um jogador de futebol que entrar em depressão em uma atividade que envolve muita cobrança ode encontrar nas drogas a perfeita fuga para o fracasso.

Como veem, a falácia de que futebol é necessário para afastar os jovens das drogas é uma crendice tola que não faz sentido e que na passa de uma desculpa para justificar a suposta importância do futebol.

10) Futebol é a maior paixão do povo brasileiro

Paixão? Coisa nenhuma! Uma observação detalhada pode derrubar violentamente este argumento, se lembrarmos que brasileiros são muito vulneráveis a modismos, acreditando que o que a maioria faz está sempre correto. Pesquisas comprovam que quem gosta REALMENTE de futebol é uma pequena minoria. O futebol é bom para os brasileiros PORQUE É POPULAR e é esse o verdadeiro motivo de tanta adesão. A maioria adota o suposto hobby como uma espécie de modismo duradouro, para se sentir incluído na sociedade. 

O próprio comportamento da maior parte dos torcedores durante os jogos (assistindo como se o jogo em si fosse uma preliminar para o grito de "GOL!", verdadeiro objetivo dos que assistem aos jogos) e o desinteresse pela parte técnica e pelos bastidores (incluindo a corrupção feita para favorecer equipes) mostra que brasileiro não gosta de futebol coisa nenhuma: simplesmente está de olho na festa que vem após a vitória da "seleção" ou de seu time favorito. A festa que servirá para se sentir incluído na coletividade, num estranho hábito de legitimação da histeria.

E tenho a absoluta certeza de que, se o futebol fosse impopular, boa parte desses "patriotas de copa" estariam bem longe do futebol, tratando Neymar & CIA como um bando de desconhecidos.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Explicando aos torcedores as críticas que eles recebem pelo fanatismo doentio

Os brasileiros sempre acreditaram na suposta unanimidade do gosto pelo futebol. Foram educados a pensar que as palavras torcedor de futebol e brasileiro fossem sinônimos e que se aparecesse um que assumisse o desprezo pela citada modalidade esportiva, certamente seria doente mental ou bandido.

Veio a internet, único meio de comunicação realmente democrático que existe (já que os outros não passam de meras vozes de seus donos) e mostrou que os brasileiros que preferem passar bem longe do futebol não somente existem, como são muito mais numerosos do que se pensava. Há quem diga que são uma maioria, mas a suposta minoria que curte, além de barulhenta é socialmente influente (bom lembrar que o futebol é visto por muitos como obrigação social).

Mesmo assim, os torcedores estavam tranquilos, pois os não-torcedores representavam uma voz muito baixa para serem ouvidas durante os gritos apavorantes da torcida ensandecida.  Mas em 2013, através do Facebook, essa pequena multidão, cansada de ser ignorada por muitas décadas, começou a lançar postagens criticando o fanatismo do futebol. Os torcedores não esperavam por essa repentina avalanche de críticas a um hábito que eles consideravam uma absoluta honra. Do nada, seu prazer maior e suposto dever cívico começou a ser esculhambado. Eles não entenderam nada.

Esta postagem tem o objetivo de explicar aos torcedores o porque de seu fanatismo ser bastante criticado, inclusive com uma certa dureza. Nada de ofensivo (os que usam isso para ofender também erram), aliás, pois não se está criticando o futebol e seus envolvidos, e sim o fanatismo que coloca essa modalidade esportiva, seus praticantes e admiradores acima de um contexto ao qual eles pertencem. Vamos explicar com detalhes o porque de tantas críticas.

O problema não é o futebol. É a importância dada a ele

Para quem não sabe, todo esporte possui suas copas. E cada esporte possui uma copa para cada variação ou categoria. Mas a do futebol chamado "oficial" é a única que possui tamanha dedicação e divulgação, por fazer os seguidores acreditarem ser um evento cívico. Um erro grave, aliás, se lembrarmos que o futebol não passa de uma simples forma de lazer. Um passatempo para quando não se tem algo importante a fazer. Pelo menos foi isso que passou pela cabeça de quem inventou o futebol. A mídia é que transformou o futebol em dever cívico, graças a um complexo e insistente processo de manipulação ideológica (proselitismo, persuasão).

Os torcedores precisam saber que é de fato ridículo transformar uma mera distração em dever cívico. É uma atitude que lembra muito os hábitos de uma criança pequena que leva muito a sério suas brincadeiras. Nem mesmo sociedades bem menos instruídas educacionalmente do que a nossa consegue agir desta forma, sabendo diferir o lazer futebolístico dos deveres cívicos.

É esse tratamento dado ao futebol que o transforma em algo bastante chato. Os torcedores de futebol deveriam parar para pensar e lembrar que outras modalidades esportivas não sofrem tamanha rejeição de quem não os curte. Não se vê críticas ferozes contra, por exemplo, o vôlei. Mesmo bastante popular, o vôlei ainda não é confundido com dever cívico. Não é excessivamente levado a sério e visto como prioridade como o futebol sempre foi tratado.

E quando o futebol e seus praticantes são duramente criticados, não é com a intenção de ofendê-los, embora alguns comentários até pareçam ofensivos. Na verdade a intenção é desfazer os mitos que goram em torno desse heroísmo falso atribuído aos praticantes de futebol, que são tratados pelos torcedores como se fossem soldados protos para ir a uma guerra que lhes trará a dignidade prometida (e nunca alcançada), Na verdade, esse negócio de futebol-patriotismo é uma brincadeira de faz-de-conta que dá tempero ao usufruto deste prazer lúdico.

Mas não deixa de ser ridículo, pois esse fanatismo mexe com a realidade e incomoda bastante o cotidiano de quem prefere ficar longe desta hipnose coletiva.

- Serviços essenciais param em tempos de copa;
- Vizinhos berram histericamente, a níveis de decibéis que igualam a decolagem de um avião  supersônico;
- Pessoas que não curtem futebol sofrem preconceito e humilhação, além de serem totalmente desamparadas por autoridades e pela mídia que nada fazem para os entreter e confortar;
- Sem falar que amigos e parentes costumam abandonar as pessoas que não curtem futebol, essas que se sentem mais solitárias (e traídas) em épocas de copa.

Essas e outras coisas interferem na realidade de quem prefere estar longe do futebol e além do fanatismo em si também são motivos para que a adoração desmedida ao futebol seja criticada.

O futebol deveria ser tratado como algo banal e não como "orgulho nacional"

O ideal é que o futebol fosse tratado como algo comum. Atualmente é tratado como algo colossal, como se fosse capaz de mudar o mundo (a prática mostrou há muitas décadas que isso é um absurdo).

Embora argumentem que seja uma diversão que deva ser respeitada, os torcedores não a tratam como diversão e sim como uma obrigação cívica e social. Como se o futebol fosse um assunto sério, de segurança nacional. Como se a vitória da "seleção" tivesse a capacidade de tirar o país da miséria. Se com cinco títulos o Brasil continua cada vez pior, então é melhor rever esta falácia de que futebol melhora a vida da população.

A copa de futebol deveria ser tratada como as outras copas, seja de outras modalidades esportivas ou até mesmo de outras categorias do futebol, estas tratadas com maior normalidade, sem a histérica dedicação que a copa de "seleção" oficial de futebol (a do Neymar & CIA) recebe. 

Essa dedicação excessiva que o futebol recebe é que é considerado alienação. Pois alienado não é quem curte futebol e sim quem acha que tem a obrigação de curtir futebol, por representar - para o alienado - um dever cívico que nunca deve ser adiado ou colocado abaixo de outros interesses, na verdade bem mais importantes. Isso sim é que é alienação.

Parafraseando o jornalista Mino Carta, da revista  Carta Capital, "Espero ainda pelo dia em que o futebol deixará de ser importante para os brasileiros". Até porque algo não precisa ser "importante" para ser agradável e apreciado nos momentos saudáveis de lazer. Muito menos a superestimada modalidade esportiva, um símbolo de "orgulho cívico" que não tem dado nenhum orgulho ao país fora de setores dos quais o futebol não pertence.

Quer curtir futebol? Tem todo o direito. Só não tem o direito de pensar que isso é patriotismo. O futebol é inócuo demais para mudar qualquer estilo de vida e trazer orgulho para a nação.

terça-feira, 10 de junho de 2014

Como fugir da histeria da Copa

POR XICO SÁ - Folha SP - 07/05/14  20:21

Foi somente a convocação dos 23 nomes da Seleção Brasileira e a histeria copeira já veio para ficar. Invadiu programas de variedades na televisão, atrasou o almoço na firma e fez o porteiro esquecer, ao relento, a moradora mais gostosa do prédio, logo a sósia da Isadora Ribeiro –isso foi fato aqui em Copacabana.

Curto a barulheira, sou cronista esportivo da “Folha” e participo do “Redação Sportv”, programa que discute como a imprensa enxerga o jogo e a cultura do futebol.  É prazer e também trabalho.

Até ai tudo bem, mas o oba-oba espetacularizado de hoje, a mais de um mês ainda do evento, me fez lembrar dos amigos que não gostam de futebol.

Aqueles que sofrem verdadeiro bullying, desde a escola, por não se envolverem com a modalidade esportiva.

Estão ferrados.

Valéria e o marido Hugo vão fugir para a Califórnia. Têm grana, planejaram a fuga e até tentaram evitar que o filho colecionasse as figurinhas –batalha perdida, obviamente, se um álbum seduz um adulto, imagina uma criança.

De qualquer forma, o casal vai cair fora. E os amigos mais lisos que bunda de índio, que não têm grana para viagens de fuga, como escapar?

Até os seus bares prediletos estarão tomados pelas hordas de fanáticos.

E quem não pode, de forma alguma, deixar de bater o ponto?

Se pelo menos o camarada estiver disposto a ir aos protestos, vá lá, não precisa ver jogo algum, hasteia a bandeira #naovaitercopa e volta de alma lavada para casa. E em paz. Tomara.

Se pelo menos o sujeito, como o meu estimado corvo Edgar, adora secar o escrete canarinho, ainda se diverte com a perversão do agouro.

Caso contrário…. Vida dura a de quem não curte futebol nesse momento. Como escapar da festa cheia de miniblusas canarinhas, shortinhos, bolão dos amigos, caipirinha e acepipes planejadíssimos?

Realmente uma desgraça para quem odeia a tal da “Pátria em chuteiras” do conceito de Nelson Rodrigues.

Que fazer, caro Vladimir?

Fugir do futebol em tempos normais é moleza, embora uma noite ou outra os gritos de “chupa gambá”, “chupa bambi’, “chupa porco” atrapalhem o sono, o filme-cabeça ou o seriado cult da temporada.

A fuga dessa maratona vai ser uma gincana que requer força física, alguma grana e muita criatividade. Até lá na tribo dos Zo´é, povo quase isolado nas selvas do Pará, corre o risco de ter Copa –o fotógrafo Rogério Assis, autor de um belo livro sobre estes índios que o diga.

Só se for para mosteiros budistas, amigo. Em conventos católicos, não recomendo. Como constatei em reportagens em 2010, até a mais religiosa das carmelitas descalças sai do retiro espiritual para ver a seleção de Neymar e companhia.

Realmente preocupado com quem vive o pânico da Copa, apelo: caríssimo leitor, qual sua ideia de rota de fuga? Colabore com este serviço de utilidade pública.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Como sobreviver à Copa quando você não curte futebol

Por Luanda Lima, Blog Lua na Rua, em 20/06/2010

Desde 11 de junho que não se fala em outra coisa. De repente, palavras como jabulani e vuvuzela parecem ter se infiltrado no vocabulário de todos, do cobrador do ônibus aos colegas de trabalho. Além de Dunga, de repente o país ganhou 190 milhões de técnicos de futebol. É um tal de gente comentando com propriedade sobre países distantes que desconhecia até dois minutos atrás, gritos ensurdecedores e um patriotismo jamais visto antes em qualquer campanha presidencial. Qualquer pessoa minimamente observadora sabe que, ao ver alguém na rua vestindo blusa do Brasil, só existem três explicações possíveis:

a) É gringo
b) É Copa
c) É gringo e é Copa

Dessa vez, como tudo em volta nos lembra incessantemente, estamos na décima nona edição da Copa do Mundo, que vai até o dia 11 de julho. E o futebol é tão importante no cotidiano e na cultura do brasileiro que, quando a seleção joga, o país para. É comum encontrar universidades e escolas que liberem os alunos e empresas que deixem seus funcionários e estagiários livres nos dias de jogo. Então, é aí que todos deixam seus afazeres de lado para acompanhar atentamente os dribles e passes de bola, se emocionando a cada gol.

Quer dizer, todos, menos os infelizes que não ligam pra futebol e calharam de nascer justo aqui. Os párias sociais que cometeram o gravíssimo crime de não ver a menor graça em um bando de marmanjos correndo enlouquecidos atrás de uma bola. Os malditos brasileiros desprovidos de patriotismo, que não completaram álbum de figurinha, não fazem lá muita questão de saber o que é um impedimento e nem sentem culpa por não saber a escalação da equipe paraguaia.

São aquelas pessoas que ficam felizes em sair mais cedo do trabalho, mas têm que conviver com a ideia de que, se não assistirem ao jogo, vão ficar quase duas horas sem ter o que fazer nem com quem fazer (isso se não levarmos em conta o pós-jogo). São os indivíduos que, quando resolvem sucumbir à pressão coletiva, passam as partidas desenhando no guardanapo, repassando mentalmente a matéria da prova de quarta-feira ou pesquisando assuntos aleatórios na internet via celular. 

O jornalista Rodolfo Viana, meu amigo e colega de profissão, sabe como é isso. "Sobreviver à Copa é bem difícil no país do futebol, porque o Brasil para. Lá na redação, cessamos os textos a dois minutos da partida. Alguém liga a TV e todos se postam em frente dela. Eu tento continuar trabalhando, mas onde estão os assessores? As fontes? As pessoas? Tudo para, mesmo que você não queira parar. É o meu caso. Então me resta ir à frente da TV e fazer comentários de quem não entende, como 'o Kaká parece anêmico'. Por mim, eu continuaria trabalhando, mas o mundo discorda de mim", diz.

Existe solução pra essas pessoas além da exclusão social e do tédio?

domingo, 8 de junho de 2014

We are not one

Vocês, torcedores de futebol, nesta época de copa se tornam os mais absolutos privilegiados. Todas as atenções do Brasil se voltam a vocês. Quem não curte futebol é solenemente desprezado e tem que se virar para arrumar distração e companhia, já que a meta de todos é toda unificada para o show da bola rolante. 

Quem não curte futebol é totalmente excluído da condição de ser brasileiro, pois ao assumir a aversão ao famoso esporte transformado em dever cívico e social, vira um desertor, como se quisesse prejudicar o bem estar daqueles que apreciam o esporte (uma ofensiva falácia, bem preconceituosa).

Torcedores, vocês sempre que são criticados, clamam por respeito. E pedem como se vocês é que fossem os excluídos. Sinceramente, creio que posso humilhá-los  a vontade, já que para vocês, torcedores, sempre virá alguém com poder, seja políticos, empresários e celebridades, para lhes defender. Posso chamar vocês de alienados, ignorantes ou até xingações piores, pois um grandão aparecerá imediatamente para defendê-los de seu direito de ser coletivamente hipnotizado.

Eu e muitos que preferem passar longe do futebol, não têm a mesma sorte. Além de desprezados, deserdados, não existe uma só lei que nos garanta o direito à diversão em épocas de copa. nenhuma autoridade se dispôs a oferecer diversão alternativa para os que não curtem futebol. Se existem dicas em revistas, sires de como se divertir com o futebol, não há uma só dica para os que não curtem o superestimado evento. Se houvesse, seria "se virem!", numa verdadeira atitude preconceituosa que coloca os não-torcedores como se fossem sub-humanos.

Torcedores, com absoluta certeza, vocês estão tranquilos, com o direito garantido de atrapalharem o sossego alheio em prol de algo que não lhes renderá benefício. Como um cara pacato, gosto de sossego, algo que me é tirado em épocas de copa. Além de não ter distração digna, ainda tenho que aguentar a gritaria alheia, o que na minha opinião é o verdadeiro motivo para o futebol ser tão popular.

Desejo que torçam com alegria e satisfação, já que vocês não vão ceder a nada mesmo. Em copa, futebol é prioridade absoluta e se não é possível o bem estar real da qualidade de vida, coloquem vocês, com ajuda da mídia, de empresários e de políticos, a falsa alegria da abstrata conquista do futebol em seus sorrisos.

Eu, como não torcedor, sou o verdadeiro sofredor. Enquanto vocês vão tentar soltar adrenalina de forma forçada, a minha será solta naturalmente, pelas perdas dos direitos básicos que em tese me são garantidos, incluindo o de ser brasileiro, já que para a coletividade, ser "brasileiro" é torcer pela "seleção".

Mais uma copa se começa e o Brasil se encontra dividida entre os queridos torcedores, filhos favoritos da Mãe-Pátria e os filhos bastardos, desertores por se recusarem a aderir à brincadeira máxima de nossa sociedade.

Bom, eu e muitos não-torcedores (e são muitos, acreditem!) permaneceremos invisíveis durante um mês até que acabe com toda esta festança das 11 Cinderelas amareladas, transformando as carruagens da esperança futebolística em uma enorme e melequenta abóbora estragada, difícil de ser engolida.

Não somos um só coisa nenhuma. São muitos pra lá (do lado do futebol) e poucos pra cá. Dois lados muito bem divididos pelas regras sociais que impõem o lazer ludopédico. 

Que venha o circo dos horrores futebosteiros. Depois disso, quem viver, chorará. 

sábado, 24 de maio de 2014

Petistas querem a unanimidade do futebol de volta

Sites que defendem os petistas e o governo estão publicando postagens e mais postagens em apologia à copa e ao futebol. Já era observado nos sites ditos "progressistas" (mas que defendem um Brasil retrógrado) um certo apreço pelo futebol, já que é coerente com o projeto de Brasil medíocre que os petistas querem.

Dois motivos fazem com que os petistas queiram muito que esta copa ocorra: primeiro, dá oportunidade de visibilidade para os petistas, ou seja, fazer algo visível para que os governantes do partido tenham mais fama e poder através de um evento que todos possam perceber a sua ocorrência. Segundo, futebol é esporte de pobre e é muito mais fácil agradar a pobretada com um "show de bola" do que distribuir renda e tirá-los de uma condição que deveria ser provisória. Enganar a população carente com espetáculos de luz e cores é mais fácil e muito mais sedutor.

Mas mesmo sem copa, noto um excessivo proselitismo pró-futebol por parte dos petistas e simpatizantes. É triste saber que nem mesmo um partido que se diz "progressista" está disposto a romper com o monopólio de lazer que o futebol representa, o que sugere que no setor de lazer esportivo, a democracia ainda não chegou para nós. 

Democracia? Aonde? Pessoas que assumem não curtir futebol se sentem mais abandonadas nesta época do ano, pois autoridades, publicitários e grandes empresários sempre preferiram acreditar que brasileiros e torcedores são sinônimos. O resto que se vire para se divertir.

Monopolizar o futebol nada tem de progresso. Muito pelo contrário, representa um retrocesso inquestionável. Mas aí vão dizer: "mas o futebol nos simboliza", "o futebol é a nossa identidade". O samba também é a nossa identidade e não vejo monopólio do samba no meio musical. Porque o futebol tem que ser monopolizado?

Claro que agora, os petistas vão defender esta copa até o fim. Eles estão puxando a brasa para a sua sardinha, já que eles são os anfitriões. E vão também defender a unanimidade do futebol, já que eles querem que TODO MUNDO VÁ. Até porque, mais gente, mais dinheiro e mais visibilidade.

Só que os petistas estão colocando suas cabeças na guilhotina ao se proporem priorizar uma forma de lazer, lançando mão de um festival de mentiras para justificar a sua realização. Resta saber que tipo de país teremos após o encerramento desta copa. Mesmo que a "seleção" ganhe o campeonato (para a alegria de petistas e de alienados), com absoluta certeza sabemos que Brasil, o país, vai perder feio diante dos outros países. 

A realidade é sempre mais feia, cruel e dolorosa que a fantasia. Quem viver, chorará.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Torcedores morrem de medo de serem criticados

Os torcedores de futebol sempre reagem de forma incômoda quando são criticados pelo seu exagerado fanatismo. Sabem muito bem que curtem algo supérfluo como se fosse necessário, como se fosse algo sério, importante como um assunto de segurança nacional. Mas se sentem bem em agir desta forma, pois colocar "seriedade" no futebol lhes dá maior prazer em seu hobby esportivo.

Mesmo sabendo que o que eles fazem é exagerado, pelo fato do futebol ser considerado uma regra social em nosso país, como uma forma de confraternizar brasileiros completamente diferentes, as críticas metem medo por sinalizarem ameaça de exclusão social. Quem gosta de futebol possui benefícios sociais que os não-torcedores não tem e perder isso não parece bom.

Criticados por terem como hobby favorito algo que é claramente ridículo, mas que é respaldado por quase toda a sociedade, além de celebridades, empresários poderosos e autoridades de governo, torcedores nunca reagem bem à essas críticas, preferindo devolvê-las acusando os não-torcedores de "anti-sociais".

E o que é mais engraçado que há uma inversão de papéis de vítima e algoz, já que os torcedores ao serem criticados, pedem 'respeito" pelo fato de gostarem de futebol. O mesmo respeito que eles se recusam a dar para que não curte futebol. O mesmo respeito que eles já recebem em franco excesso de autoridades, da mídia e de toda a sociedade. Pelo jeito eles não estão satisfeitos com o respeito que recebem de 99% da sociedade. Querem mais. Querem o respeito de 100%.

Chega a ser trágica e cômica essa reação dos torcedores, pois eles agem como se fosse uma minoria a ser excluída, o que está em oposição ao que se observa de fato. Pedem o respeito que já possuem, querem os direitos que já possuem, querem não apenas o direito de gostar de futebol, mas que esse mesmo gosto seja compartilhado por todos.

O que lhes incomoda na verdade é saber que o futebol não é mais uma unanimidade que sempre acreditaram ser. Só o fato de conhecer uma única pessoa a tentar desvincular o futebol do mito de "dever cívico" que ainda é arraigado em nossa sociedade, lhes dá revolta, já que esse mesmo mito é que faz com que o futebol seja mais "emocionante".

Só mesmo em uma sociedade com a brasileira que uma simples forma de lazer rudimentar cause tanto barulho, tanto do lado dos quem a amam, quanto do lado de quem as despreza. E é muito barulho por nada. Uma polêmica tola que desvia o foco de discussões mais amadurecidas.

terça-feira, 6 de maio de 2014

Contrato se cumpre com rigor

Todo mundo sabe que o grande protagonista desta próxima copa será o Neymar, tido pelos ingênuos como "herói máximo da nação". Toda a imagem dele está sendo construída para ele ser uma espécie de "redentor", um semi-deus a guiar os rumos da nação. Há inclusive quem acredite que se a "seleção" ganhar a copa, evitará o país de entrar nesta crise. Algo que o bom senso e a lógica diz ser impossível, pois futebol é só lazer, uma brincadeirinha, que no Brasil é levada muito a sério.

E como "herói máximo da nação", Neymar deve ter uma "primeira dama". Não qualquer uma, mas uma que tenha aceitação maciça da população e que não possui uma reputação capaz de ser rejeitada. Embora combine mais com estas siliconadas que só abrem a boca para falar besteira, Neymar teria a sua imagem manchada se unisse as suas "almas gêmeas". Portanto, seus assessores trataram de escolher alguém que tivesse as seguintes características:

- Ter imagem de boa moça de família;
- Mas que também tivesse uma beleza capaz de enlouquecer os torcedores masculinos;
- Que fosse uma estrela em ascensão.

Com base nesses critérios, a escolhida foi Bruna Marquezine. Depois do anunciado fim do namoro da bela e talentosa atriz com o songamonga com cérebro de pudim, foi revelado agora que os dois continuam, sim namorando. Os assessores do fútil (fútil-bol?) e inútil (para a nação) jogador logo se apressaram em tentar manter o namoro pelo menos até terminar a copa para que o "maior herói da humanidade brasileira" pudesse ter uma princesa encantada ao seu lado quando segurar a tão comprada (sim comprada - no país do jeitinho, tudo se dá jeito) taça. 

Os dois estão se encontrando às escondidas e isso vai ser muito bom profissionalmente para ambos. Afetivamente não pois os dois não se combinam de jeito nenhum. São até opostos (a bela e a fera?). A copa servirá de consagração para o alienado mais famosos do Brasil e a atriz deve contabilizar uma boa parte dessa consagração. 

Um recadinho para a Bruna Marquezine: porque não conversa com a Sthefany Britto sobre a "maravilhosa" experiência de namorar um jogador de futebol? Ela lhe poderá dar boas dicas de como lidar com um verdadeiro banana (socorro, Daniel Alves!), como o superestimado jogador, o super poderoso herói dos alienados. Que obviamente não salvará seus súditos da mesmice.

Tudo para cumprir rigorosamente os contratos que a FIFA e a CBF estabeleceram com patrocinadores e investidores. Pois (muito) dinheiro é o que interessa, o resto não tem pressa.

domingo, 4 de maio de 2014

Novelas não vão ignorar futebol durante a copa

Como dona da CBF e principal beneficiada com os lucros de todas as copas, a Rede Globo sempre se esforça para que o fanatismo futebolístico se mantenha em alta. Por isso mesmo a ordem é colocar futebol em toda a sua programação, nem que seja apenas uma citaçãozinha e desprezar completamente qualquer telespectador que não curta a modalidade esportiva.

Por isso mesmo a ordem é mencionar o futebol em todas as suas novelas para que o telespectador continue atribuindo ao fato de gostar de futebol um senso postiço de humanidade e orgulho "cívico", como se gostar de futebol fosse em si um sinal de simpatia e de amor ao próximo. O que a lógica e o bom senso provam de maneira inquestionável que NÃO é verdade.

Tão cedo não vamos ver o futebol senso tratado como mera forma de lazer. Para muitos ele ainda será o nosso maior motivo de orgulho e estopim para atos insanos de devoção fanática e de alienação que consegue travar qualquer cérebro pensante. Uma verdadeira razão que, ao invés de nos orgulhar, deveria nos envergonhar, pois somos motivos de piada por achar que futebol é mais importante que tudo. Inclusive de coisas mais importantes, como a nossa própria sobrevivência.

Mesmo com o aumento da quantidade de pessoas que se assumem desprezar o futebol e da intensa campanha pelo fim do fanatismo no futebol, os cães de guarda da CBF estão sempre a postos para que o futebol continue sendo essa obrigação social que faz com que todos, obrigatoriamente gastem muito dinheiro, enriquecendo cartolas, patrocinadores e qualquer um que dependa do futebol para ganhar muito, mas muito dinheiro.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Vitória na copa de 1994 nada teve a ver com a morte de Senna

A mídia, sobretudo a Rede Globo, sempre arruma um jeito de mostrar o futebol como se ele fosse muito melhor do que ele é. para isso muita pompa, valores positivos e até uma boa dose de ativismo, são embutidos como próteses para que a magia do futebol-civismo seja mantida, para que os lucros vindos através do futebol sejam garantidos.

A emissora lançou, em sua chamada para uma homenagem pela lembrança dos 20 anos de morte do corredor de Fórmula 1, Ayrton Senna, uma teoria conspiratória que soa muito agradável para quem é fanático pelo futebol. Usando a ex-atleta e jornalista Glenda Kozlowski como porta-voz, a cúpula da emissora lançou a alucinada tese de que a vitória da "seleção" na copa de 1994 foi inspirada no sucesso de Senna, além de ser uma forma de homenageá-lo. 

Defensores do futebol costumam ser excessivamente delirantes, mas desta vez a Globo extrapolou. Dois fatos completamente diferentes, ocorridos no mesmo ano senso ligados artificialmente, para promover ainda mais o futebol. Em ano de copa, como este que estamos, é ótimo forçar a barra, pois futebol é a mais valiosa galinha dos ovos de ouro e quanto mais gente gostando dele, mais gente vai dar o seu dinheirinho suado por ele.

Nada disso. A vitória de 1994, que não foi fraudulenta como a de 2002, nada tinha a ver com Ayrton Senna. Forçar a barra para que alienados e analfabetos jogadores de futebol sejam vistos como ativistas, como fizeram este ano com Daniel Alves, é um cacoete muito cometido pela mídia, que faz de tudo para que o futebol não seja visto como uma forma de lazer e sim como o nosso maior motivo de orgulho. 

E dizer que alienados que não costumam gostar de automobilismo (este sim, um esporte sem analfabetos) são "ativistas sociais", fazendo da vitória banal uma homenagem a alguém que vários deles não admiravam é realmente sonhar muito alto. Mais delirante que isso, só se fazer isso chapado.

Senna morreu no dia 1º de maio de 1994 , esbarrando em uma mureta durante o treino para o Grande Prêmio de Ímola. A "seleção" venceu a copa no mesmo ano, na copa que aconteceu nos EUA, país que despreza o mesmo futebol que a maioria adora, mas gosta que o nosso povo fique distraído pelo mesmo, pois assim o Brasil não se evolui, deixando de ser uma ameaça a soberania dos ianques.

Sinceramente, Rede Globo! Que mania você e as outras emissoras forçarem a barra para transformar futebol em "conscientização social". Os burros, que gostam de serem tratados como sábios e rebeldes sem serem de fato (para ser exige esforço e abnegação), agradecem a bajulação.

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Uma banana para o futebol

O caso em que o jogador Daniel Alves, um brasileiro que joga lá fora, come uma banana jogada por um torcedor num ato que sugere racismo deu início a uma maciça campanha estranha em que várias celebridades apareceram comendo bananas. Uma atitude que pareceu muito mais um modismo do que uma campanha séria contra o racismo.

Antes de mais nada, somos totalmente contra o racismo. Mais até do que qualquer pessoa. Quem leu livros sobre o surgimento do racismo sabe que o racismo é muito mais cruel do que qualquer um pode imaginar e sinal evidente de falta de respeito pelo ser humano. Racismo é sinal de ignorância e desrespeito e deveria ter sido banido há muito tempo.

Mas usar campanhas anti-racismo desta forma me pareceu mais uma apologia ao futebol, se aproveitando da proximidade da copa. O futebol, para os brasileiros é superestimado, sendo tratado não apenas como uma forma de diversão, mas como motivo de orgulho e dever cívico/social. 

É fato que as mesmas celebridades que apareceram para supostamente apoiar o ato do jogador, já praticaram ou praticam alguma outra forma de preconceito em seus cotidianos ou já foram vistos em algum ato anti-ético que anula qualquer participação em campanhas que deveriam ser humanistas como essa. O que na verdade soa como uma mistura de vontade de aparecer, adesão a um modismo e propaganda gratuita do futebol. 

Se o que aconteceu com Daniel tivesse acontecido com outra pessoa, teria tido muito menos repercussão. Se fosse com um intelectual, seria solenemente ignorado. mas foi um jogador de futebol e esse detalhe foi mais do que crucial para que ganhasse a repercussão.

Ainda espero uma campanha realmente séria contra o racismo. Além de toda a palhaçada de puxar o saco de um jogador de futebol por causa desse preconceito realmente reprovável, o ato ainda serviu de preconceito contra a banana, alimento essencialmente nutritivo, prático e muito saboroso e que não deveria ser considerado "comida de macaco", já que por suas características, é uma fruta indispensável para a saúde humana, sobretudo para quem deseja uma perfeita circulação sanguínea.

Foi na verdade tudo uma palhaçada que com absoluta certeza, não vai servir para acabar com o racismo. pelo contrário: os racistas devem estar rindo pois a atitude das celebridades (muitas comprovadamente cabeças ocas) foi claramente ridícula. Uma verdadeira palhaçada que mais pareceu uma propaganda da copa do futebol e um ato de rejeição à banana, do que a solidariedade a uma vítima de racismo, seja qual for o prestígio social que possuísse.

Somos todos macacos? Claro que não. macacos reagiria a isso com muito mais seriedade e inteligência. Erramos a espécie animal: somos todos burros mesmo. Uns verdadeiros bananas.

E uma banana para essas celebridades bananas.

sábado, 26 de abril de 2014

Promoção sugere que ingressos podem não estar sendo vendidos

Uma estranha promoção feita em conjunto por um shopping do Rio e a Coca-Cola pode sugerir que estão sendo vendidos muito menos ingressos que o esperado. A promoção dá 2 ingressos a qualquer um que comprar produtos da marca e trocar tampinhas, selos ou notas de compra em postos autorizados dentro do tal shopping.

Uma estranha promoção que dará de graça ingressos que normalmente custam uma fortuna, sem sorteio, sem concursos, sem qualquer tipo de obstáculo. Comprou, levou. Lembrando que uma garrafinha da Coca pequena custa apenas cerca de 2 reais, o que já permite a aquisição dos tais ingressos. Bem baratinho, não?

Tudo indica que esta copa será um imenso fracasso. Esta promoção só demonstra a necessidade desesperada de lotar as arquibancadas para que o mundo não veja os estádios vazios durante os jogos. Manobra similar foi feita na África do Sul, cuja população não se interessa por futebol.

Certamente, a partir de Agosto, esta será uma experiência que o Brasil não vai querer se lembrar. Mesmo que a "seleção" vença (e deve vencer, mesmo desonestamente, como foi em 2002), Brasil, o país, já sofreu desde já a sua maior derrota. Maior e de sequelas irreversíveis. É aguardar para ver e contar os mortos, feridos e desabrigados.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Preconceito: esta é a palavra

Numa sociedade em que futebol é tratado como obrigação, quem não sente um apreço pelo famoso esporte acaba tendo que sofrer bastante, pois nunca é compreendido, já que para quase todos, o futebol deveria ser uma unanimidade.

Quem assume publicamente que não gosta de futebol é vítima de um preconceito real, cruel, mas invisível para a maioria. Até mesmo a mídia colabora, não para combater, mas por incrível que pareça, estimular ainda mais essa rejeição contra as pessoas que não gostam de futebol.

Quem não curte futebol é xingado, humilhado, desprezado, tratado no mínimo como antipático, pois se recusa a participar de um tipo de hobby considerado uma forma de confraternização social. E isso pode gerar não somente muitas brigas, mas também a exclusão definitiva do não-torcedor dos benefpícios da vida social, já que para muitos, é essencial ter um time na carteira de identidade para se tornar integrante da sociedade.

É preciso que algo seja feito contra esse preconceito, pois além do futebol ser apenas um lazer e como tal nunca deve ser obrigatório, não há lei no Brasil que obrigue alguém a gostar de futebol. As pessoas que fazem esse tipo de cobrança desconhecem totalmente a legislação brasileira.

Não é preciso gostar de futebol para ser simpático e ter uma boa relação com as pessoas. É preciso uma diversidade de pensamentos e de hobbies para que as pessoas possam encontrar um ponto de afinidade que não seja o futebol. Duas pessoas que divergem em relação a futebol, podem se afinar quando o assunto é outro. Porque então estipular o futebol como condição sine qua non para a vida social?

Vamos acabar com o preconceito, admitindo e respeitando a existência de pessoas indispostas a gostar de futebol. Se futebol não dá prazer e até incomoda, para quê aderir? Só para se considerar "humano?

Pedimos para que jogadores, mídia e autoridades entrem em uma campanha pelo respeito às pessoas que não curtem futebol. É um direito nosso estarmos alheios a esse esporte e isso deve ser respeitado.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

O fanatismo do futebol é nocivo. Por isso temos que evitar o fanatismo anti-futebol, igualmente nocivo



A melhor maneira de combater uma ideia errada é usando o raciocínio. Pensar nos dá a possibilidade de argumentarmos, mostrando provas de que quem está errado, cometeu um erro. 

Além disso, nunca devemos nos igualar a quem errou, agindo da mesma forma. Isso nos tira o direito de contestar, além de enfraquecer nossa contestação, fortalecendo quem errou a continuar defendendo o seu erro.

O que noto é que boa parte das pessoas que contestam o fanatismo futebolístico, agem de forma raivosa, irracional e puramente debochada. Raramente vejo textos lógicos e inteligentes que contestam o fanatismo tão estimulado pela mídia (que sabe muito bem que fanáticos sempre pagam para ter o produto relacionado com seu objeto de fanatismo). O ideal é que tivessem muito mais blogues anti-futebol, ao invés de incomodados ficarem reclamando pelas costas.

Gostaria que as pessoas avessas ao futebol escrevesse mais, fossem mais coerentes e equilibrados para que pudessem ser ouvidos e acabar de vez com a secular, mas absurda ideia de que o futebol é patriotismo. Quem é racional sabe muito bem que somente uma sociedade ao mesmo tempo carente e de educação ruim é capaz de aceitar que uma forma supérflua de lazer seja o seu maior símbolo de orgulho e de devoção às coisas de nosso país. Um grave erro que merecia ser combatido com lógica e não com deboche.

Claro que devemos respeitar quem curte futebol. Acima de tudo é uma forma de lazer. O que poderemos fazer mesmo é educar os torcedores para que estes percebam que a sua forma favorita de lazer nunca deve substituir ao amor por si mesmo e pelas pessoas que vivem no país. E dizer a eles de forma equilibrada, racional e convincente. Se usarmos o deboche, não seremos compreendidos e a ilusão do futebol-pátria permanecerá.

Espero que possamos ser mais racionais em nossas críticas ao fanatismo alienante do futebol. Se os torcedores estão realmente errados em gritar insanamente, em levar a sério demais uma forma supérflua de lazer, digamos isso a eles de forma educada e lógica. 

Não sejamos como eles, que a cada entrada da bola em uma rede, solta o troglodita adormecido dentro de si. Vamos provar que somos realmente racionais, para que os nossos argumentos ganhem força e possamos mesmo mudar os costumes sociais para que nos tornemos cada vez mais civilizados. Pois do jeito que está, com críticas debochadas e raivosas, tudo continuará na mesma, com alces humanos iludidos berrando "goool" em nossos educados ouvidos.

Afinal, esse fanatismo anti-futebol nos faz tão iguais ao fanatismo pró-futebol, o que anula qualquer argumento que vá contra a enxurrada pró-futebol que recebemos diariamente ao nosso redor.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Mídia e sociedade carioca usam fatos desagradáveis para promover futebol


Um setor em que a democracia ainda não chegou ao nosso país é o do lazer esportivo. O futebol, desde os anos 50 e sem interrupções ainda é difundido como dever cívico e obrigação social. No Rio de Janeiro, isso é levado às últimas consequências, causando preconceito contra quem não curte futebol e usando fatos desagradáveis para estimular o fanatismo futebolístico.

Dois episódios ocorridos no Rio de Janeiro, um sobre um assassinato outro sobre um engano danoso, usaram o futebol para despertar simpatia e comoção, como se gostar de futebol fosse uma prova de bondade, simpatia e bom convívio social.

Futebol como sinal de bom mocismo

A morte do cinegrafista da TV Bandeirantes, Santiago Andrade, por um rojão e a prisão por engano do ator e agora psicólogo Vinicius Romão, ambos fatos desagradáveis, fizeram com que a mídia usasse o gosto deles pelo futebol como propaganda pró-futebol. Algo oportuno em ano de copa.

Tudo bem se havia a preferência de ambos pelo futebol, embora reconheça que a maioria dos cariocas adere ao futebol muito mais pela aceitação social do que pelo prazer pela modalidade esportiva. Mas não precisava a mídia ter dado essa ênfase a preferência deles. Soou claramente uma propaganda pró-futebol. Só não percebeu quem é alienado.

Imagine. Porque não enfatizar o gosto musical de cada um? Ou culinário? Outros tipos de preferência? Se, por exemplo, um cara gostar de Raul Seixas? Mas gostar de Raul Seixas e de churrasco, por exemplo, não são estigmatizados como dever social. Não é sinal de simpatia nem prova de que alguém - supostamente- sabe viver em sociedade.

Por isso há a necessidade de enfatizar o gosto pelo futebol. Como no Rio de Janeiro, gostar de futebol é sinal (falso) de simpatia, a ênfase foi dada para que Santiago e Vinicius, envolvidos em situações em que poderiam ser confundidos como algozes, fossem considerados "homens de bem". 

Preconceito grave contra quem não curte futebol

Gostar de futebol é sinônimo de "homem de bem"?  Então tá. Bandido não curte futebol. Isso é uma acusação grave contra quem não curte futebol. Porque não fotografam Fernandinho Beira Mar com a camisa de seu time favorito? Pensam que ele não gosta de futebol? Hmmm, que engano...

Os cariocas precisam parar de condicionar amizades e bom convívio social a futebol. Isso é uma prova de que os cariocas andam muito ignorantes ultimamente. Futebol é apenas uma forma de lazer e como tal, nunca deve ser obrigatório. Lazer foi feito para dar prazer e se alguém não obtém prazer em uma atividade, certamente não deveria perder seu tempo com ela.

Foi desnecessário associar os casos de Santiago e de Vinicius a futebol. Desviou o foco, além de perpetuar o futebol como obrigação social. Sei que é essa transformação em dever cívico-social que garante os lucros de quem é envolvido diretamente ou não com o futebol. Todos sabem que quando algo é obrigatório, as pessoas fazem de tudo para pagar por ele.

Mas é mais do que na hora de entendermos que uma forma de lazer nunca pode ser considerada condição sine qua non para o convívio entre as pessoas. Se gostar de um time diferente (e não do Flamengo como os dos exemplos aqui citados) é considerado um direito de cada um, não gostar de futebol também é um direito a ser igualmente respeitado.

Além de que usar dois fatos desagradáveis para fazer propaganda de um time de futebol é de uma crueldade sem tamanho. Tão cruel quanto acusar aqueles que não gostam de futebol de "mau caráter".

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Pra bobagem sempre se dá um jeitinho

A FIFA acaba de anunciar que Curitiba não foi excluída das cidades que sediarão jogos da copa. Apesar de bastante atrasado em sua construção, autoridades locais garantem que o estádio da capital paranaense estará pronto em maio.

Claro que para isso, os cidadãos curitibanos terão que se sacrificar se quiser que o maior evento de seu lazerzinho favorito possa ser realizado em sua cidade. A educação, normalmente cortada de qualquer orçamento em épocas comuns, vai ficar totalmente zerada de investimentos neste ano. Mas isso para os curitibanos - ou para qualquer brasileiro - isso não importa, já que muitos acreditam que esporte educa.

As outras prioridades que garantiriam a qualidade de vida terão suas verbas bem reduzidas. A mobilidade urbana deverá ser poupada desse redução, já que virou carro-chefe nessa maquiagem para enganar os - parcos - turistas que vem aqui se enganar com futebol. A capital do BRT não poderia deixar a sua galinha dos ovos de ouro ficar sem investimentos. Ainda mais que está sendo exportada pelo país inteiro, enganando principalmente busólogos que se contentam com ônibus grande, possante e bonito.

As autoridades fazem questão da realização da copa, já que além de render muito dinheiro, trará um - falso - prestígio mundial às mesmas autoridades, que esperam ganhar fama internacional com o evento.

E o povo? O povo que se dane. Toma o circo do futebol para calar a sua boquinha, permitida apenas para ser aberta durante a gritaria nos momentos dos gols.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Após fim de namoro com Neymar, Bruna Marquezine perde contrato publicitário

OBS: Embora a distância seja uma desculpa para o fim, estava na cara que o namoro era de fachada, para alavancar as carreiras do jogador e da atriz, ambos em ascensão. Marquezine inclusive ganhou o papel de protagonista graças a esse namoro e havia intenções da mídia de capitalizar o suposto namoro entre os dois, levando em conta que a copa irá começar no Dia Nacional dos Namorados (o Dia Internacional dos Namorados, curiosamente é hoje, quando esta postagem está sendo publicada).

Agora a mídia está em polvorosa tentando achar alguém com aceitação popular incondicional que possa fazer o papel de "primeira dama" do futebol brasileiro, já que um "herói"  sem sua mocinha soa muito estranho em uma sociedade que dá muita importância a vida afetiva de suas celebridades favoritas.

Após fim de namoro com Neymar, Bruna Marquezine perde contrato publicitário

Equipe do portal R7

O término do namoro de Bruna Marquezine e Neymar rendeu à atriz o fim do contrato com uma operadora de celular. Segundo o jornal Extra, a empresa decidiu não renovar com a gata teen após os constantes rumores de que o romance dos dois teria terminado.

Neymar, que é contratado da operadora há um bom tempo, mantém o vínculo com a empresa. Ainda de acordo com a publicação, Neymar e Bruna Marquezine não poderiam anunciar oficialmente o término enquanto a propaganda estivesse no ar.

A operadora, porém, não confirma as informações oficialmente.

Apesar de ter perdido este contrato, Bruna Marquezine continua em alta por sua atuação na novela Em Família (Globo). O desempenho da atriz como Helena e Luiza chama atenção e rende inúmeros elogios a ela, considerada uma das melhores de sua geração.

Nesta terça (11), a assessoria de imprensa da atriz confirmou que ela e Neymar não estão mais juntos, já que o romance não resistiu à distância. Bruna, inclusive, apagou todas as fotos ao lado do jogador de seu perfil no Instagram.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Postagens anti-futebol no Facebook fazem publicitários moderarem em propagandas futebolísticas

Nos anos das copas anteriores, era muito comum nos primeiros seis meses a TV ser invadida por uma avalanche de propagandas onde o futebol era o principal assunto, mesmo que o produto a ser vendido nada tenha a ver com a famosa modalidade esportiva. Era um pesadelo ligar a TV para quem não curte futebol: uma overdose de irritar o mais tranquilo dos monges.

Mas este ano, nota-se que o intervalo televisivo se tornou mais equilibrado. Ainda há propagandas que mencionam o futebol, de maneira bem fanática e persuasiva. Mas elas se tornaram minoria nos intervalos. Os publicitários preferiram moderar na persuasão futebolística dos anos de copa. O que houve para que os publicitários freassem na sua capacidade de alienar a população?

Quem não usa internet deve ter estranhado, pois desconhece o possível motivo que fez com que as propagandas pró-copa se minguassem. Mas quem usa internet, sobretudo quem lê blogues e frequenta redes sociais, percebeu o motivo dessa contenção publicitária.

A internet se mostrou o único meio de comunicação realmente democrático que existe. Aqui, pessoas como eu e você podem escrever sobre o que pensa, sem esperar que aquele jornalista ou celebridade fale a ideia que só você defende, algo que na verdade nunca acontece, principalmente na TV aberta.

E é justamente na internet que estão aparecendo debates e textos que tentam devolver o caráter puramente lúdico ao futebol, difundido na grande mídia durante muitas décadas como se fosse um dever cívico, algo que nada tem a ver com a modalidade esportiva.

A publicidade sempre defendeu esse ponto de vista equivocado por acreditar que transformando em "dever cívico", estariam obrigando a população a comprar os produtos relacionados com o futebol, transformando a modalidade em fonte garantida de lucro. Uma grande galinha dos ovos de ouro cuja importância deveria, segundo os publicitários, ser aumentada sem qualquer tipo  de limitação.

Mas o plano deles caiu por terra, graças a descoberta de que o Brasil, além de possuir uma grande número de pessoas que não curtem futebol, esse número cresce cada vez mais, para a surpresa dos que dependem dos lucros futebolísticos.

E a campanha doentia que tenta insistir com a associação entre futebol e patriotismo, parece repelir cada vez mais as pessoas, pois além da associação entre uma forma de lazer e civismo ser evidentemente ridícula, toda a campanha feita para promover essa associação é ainda mais patética e surreal, transformando meros divertidores em "heróis da pátria". Como se a vitória da "seleção" pudesse trazer dignidade para o país (o que fatos reais provam justamente ser o oposto).

Com medo de estar se agarrando a algo claramente ridículo, os publicitários optaram por moderar suas propagandas pró-copa.  Ainda não há campanha pedindo respeito a quem não curte futebol. Mas só em eliminar a avalanche chata das propagandas futebolísticas já é um bom avanço. Sinal de que o Brasil demonstra sinais de que um dia irá acordar.