Seguidores

domingo, 18 de novembro de 2012

Futebol, Copa do Mundo, corrupção e alienação

OBS: Eu me surpreendi ao encontrar esse texto na internet. O que espanta não é o texto em si, mas o fato de que ele foi escrito para um site de esquerda. A maioria dos esquerdistas brasileiros prefere ignorar a utilização do futebol como meio de geração de lucro e de manipulação ideológica, por achar que o mesmo esporte simboliza a "alegria" do pobre. 

Boa parte dos esquerdistas se comovem quando veem pobres empinando suas bundas e grunhindo a cada gol de seu time favorito. Os esquerdistas se esquecem de que futebol é ilusão e nada tem a ver com a qualidade de vida. Que a vitória da "seleção" ou de algum time não traz nenhum benefício para os seus entusiastas.

Exceção do cara que escreveu esse belo texto, reconhecendo o poder alienador do futebol e sua inutilidade para a felicidade real da população. Escrever nesse ponto de vista é uma prática que é mais comum em direitistas, que normalmente fazem isso não porque odeiam o futebol, mas porque os odeiam pobres, compartilhando (enrustidamente) com os esquerdistas alienados a falsa ideia de que o futebol é a alegria real da população carente. 

Vamos parar de se iludir e amadurecer. Futebol é só lazer e mais nada. Brincadeiras têm idade para acabar.

Futebol, Copa do Mundo, corrupção e alienação

Delson Plácido - publicada na Edição 446 do Jornal Inverta, em 24/08/2010
Artigo que análise o futebol como é apresentado pela mídia burguesa.

Com esse título, iniciamos o nosso artigo de hoje sobre o Campeonato Mundial de 2010, finalizado recentemente e conquistado merecidamente pela Espanha.

O Brasil voltou pra casa muito mais cedo do que se previa, perdendo mais uma chance de conquistar o hexa campeonato. Quem foi ao Estádio de Port Elizabeth para ver Robinho, Kaká, Luís Fabiano durante a partida Brasil e Holanda acabaram assistindo foi uma grande atuação de Robben e Sneijder.

Já estavam ficando insuportáveis alguns veículos de divulgação transmitindo, várias horas por dia, reportagens alienantes e imbecis sobre a Copa do Mundo de 2010, a qual, em termos de futebol apresentado, foi péssima, muito pior que as copas de 1994, 2002, predominando a mediocridade, com poucas exceções. Isso sem contar com as péssimas arbitragens, com erros infantis, influindo decisivamente em vários resultados. Hoje em dia, mais do que nunca, o futebol é um esporte onde predomina a mentira, a simulação, o mau-caratismo, violência física, agressões. Exemplo: jogada com a mão do atacante Henry da França durante a partida que eliminou a Irlanda do Norte da Copa do Mundo de 2010.

Uma coisa positiva a destacar foi o povo brasileiro se livrar dessas malas pesadas da crônica esportiva da imprensa golpista, tais como Galvão Bueno, Alex Escobar, Renato Prado, Milton Neves e das declarações diárias alienadas dos bilionários garotos propaganda integrantes da seleção brasileira.

Sempre fui contra a intromissão das empresas multinacionais nos assuntos internos do futebol brasileiro e mundial..O futebol em todo o mundo tornou-se um grande negócio, uma podridão. Jogos manipulados, juízes comprados, dirigentes de clubes enriquecendo a custa das transferências de jogadores. Vários casos de corrupção, manipulação de jogos já ocorreram na Itália e no Brasil.

As pessoas não se dão conta da utilização ideológica e política do campeonato mundial de futebol pelo capitalismo. Há várias décadas o futebol deixou de ser um esporte para transformar-se num negócio, que movimenta centenas de bilhões de dólares. Desde os anos 30, o futebol se transformou numa ferramenta de propaganda política. Hitler e Mussolini promoveram o futebol em seus respectivos países, Alemanha e Itália.

O Tricampeonato Mundial de Futebol de 1970, no México, foi utilizado pela ditadura militar brasileira para distrair o povo, para desviar a atenção do período mais duro da ditadura militar. Enquanto se festejava a conquista do Mundial de 1970, vários patriotas eram presos, torturados, assassinados e muitos continuam, até hoje, desaparecidos.

Em 1978, a Argentina teria que ser campeã de qualquer maneira. A ditadura militar argentina também se utilizou do futebol e do campeonato mundial para distrair o povo, enquanto os carrascos  Videla, Galtieri, Massera, Astiz  e outros bandidos fardados e civis do regime militar prenderam, sequestraram, mataram  e desapareceram com milhares de compatriotas.

Com o futebol, os detentores do poder continuam promovendo espetáculos (pão e circo), dando uma falsa sensação de alegria às vítimas do capital, desviando sua atenção da  grave crise econômica mundial, sobre as matanças, sobre o desemprego, sobre a falta de moradia, sobre as guerras imperialistas, sobre a falta de assistência médica, sobre a violência, sobre a corrupção, sobre a destruição da natureza, sobre a fome, sobre a exploração  e a opressão.

Hoje, capitalismo e humanidade são excludentes. Para o capitalismo se manter tem que ameaçar a humanidade. Para a humanidade se salvar tem que acabar com o capitalismo.
Tal como as drogas, este tipo de futebol bilionário cria um mundo fictício e se constitui num verdadeiro ópio para o povo, pior até do que a religião, segundo alguns sociólogos.

Segundo informações de estudiosos do esporte bretão, a FIFA (Federação Internacional de Futebol Associado) possui mais de 1 bilhão de dólares e, no ano passado, ganhou 900 milhões, simplesmente cobrando comissões das federações, compra e venda de jogadores, que ficam nas mãos de dirigentes dos clubes, dos intermediários e representantes e de outros tantos coiotes.
E vamos prosseguir focalizando esta conexão entre esporte e política em muitos aspectos prejudiciais ao povo. Na Itália, Silvio Berlusconi, por ser proprietário do Milan e dono de veículos do monopólio de comunicações acabou sendo eleito. Em Buenos Aires, Maurício Macri foi eleito governador por ser presidente do Boca Juniors.

No Brasil, a falta de consciência política tem proporcionado a eleição de cartolas corruptos como Eurico Miranda, Kleber Leite, Caixa D’água, Castor de Andrade e outros por este Brasil afora. Vários jogadores de futebol foram eleitos vereadores, deputados estaduais, cujos desempenhos deixaram muito a desejar. Podemos citar como péssimos exemplos de políticos Carlos Alberto Torres, lateral-direito da seleção campeã mundial, em 1970, no México; Biro-Biro, jogador do Corinthians;  Roberto Dinamite, atacante do Vasco da Gama na década de 70..Outro equívoco gravíssimo do eleitor brasileiro é a eleição de cantores para as câmaras municipais e assembleias legislativas.

Após a eliminação do Brasil, estranhamente, o presidente Lula, tal como  na outra Copa, ou seja, de 2006, quando o Brasil  foi eliminado vergonhosamente pela França, agora, após a derrota  para a Holanda, manifestou novamente sua solidariedade ao presidente da CBF, Ricardo Teixeira.

A corrupção no futebol  é uma triste realidade. Aliás não é só na CBF, em que há necessidade de uma limpeza total. Segundo informou a imprensa europeia, por ocasião da eleição  do atual presidente da FIFA, Joseph Blatter, este teria comprado o voto do vice-presidente da Federação  de Futebol da Somália, Mohiadin Hassan por cerca de 100.000 dólares. Joseph Blatter, que sucedeu João Havelange apoia Ricardo Teixeira, sogro de Havelange. Como se pode muito bem verificar, está tudo em casa.

Esta denúncia, também, foi feita, na época, pelo presidente da UEFA, o sueco Lennart Johansson, que, em entrevista concedida à imprensa, afirmou que iria exigir uma apuração rigorosa. Segundo foi anunciado, outros dirigentes receberam dinheiro na véspera das eleições para votarem no suiço, Joseph Blatter.
A Copa  de 2010 ficará, certamente, na História do Futebol, como a que apresentou o futebol mais medíocre de todos os tempos. E após a eliminação do Brasil, os abutres da imprensa corrupta e golpista deram início a uma grande badalação do treinador Luiz Felipe Scolari, fervoroso admirador do general assassino, Augusto Pinochet.

É lamentável que o individualismo predomine no futebol, apesar de ser um esporte coletivo. E o pior é que os poucos atletas super bem-pagos não prestigiam a sua organização de classe que é o Sindicato.

As vedetes atuais, ou melhor, esses reis sem reinado e sem coroa, que jogam no exterior, antes endeusados o tempo todo pelos veículos do monopólio  das comunicações mostraram que não jogam nada, que não valem a centésima parte do que ganham. São mais marketing do que outra coisa, menos craques na verdadeira acepção da palavra.

E pensar que jogadores supertalentosos como Rubens  e Jadir do Flamengo, Ipojucan (Vasco e Portuguesa de Desportos) e o goleiro Barbosa (Vasco da Gama), Paulinho centro-avante do Botafogo morreram na miséria. Isto sem falarmos no Garrincha, o maior ponteiro direito do mundo, responsável por duas copas do mundo - 1958 e 1962.

A solidariedade no  mundo do futebol é uma palavra que só existe nos dicionários por distração dos gramáticos. E passemos  a palavra ao ex-jogador da seleção brasileira, Sócrates integrante da seleção brasileira,  de  clubes brasileiros (Corinthians e Flamengo) e até de clubes italianos. Para quem não sabe, Sócrates foi um dos criadores, juntamente, com o lateral esquerdo Vladimir da famosa democracia corintiana, na década de 60.
Em entrevista concedida á TV Brasil e TV Câmara, falando sobre a face oculta do futebol, Sócrates assim se expressou;
“A TV  vende o sonho de consumo, vende atitude, aparência, comportamento, moda. Mas é incapaz de vender Educação. E vender Esporte sem Educação é um crime. Mostram ídolos de futebol que não estudam e são um péssimo exemplo para a sociedade. E não por culpa deles apenas. O Sistema estimula que saiam da escola. A mídia revela diariamente minúcias da vida dos jogadores. Onde vivem, que carros possuem, como são suas  casas e suas famílias. Só não dizem até que ano estudaram, em quais escolas, como eram como alunos”. Por que será ?´E Sócrates responde :

 “A ignorância dos jogadores é estimulada pelo Sistema. A ele não interessam profissionais com possibilidade de crítica”. Para Sócrates, o esporte deveria ser um braço da Saúde e da Educação. Não há um dirigente que trate o esporte como viés comunitário. É tudo individualista”

Não é por acaso que se conta nos dedos jogadores conscientes, politizados. Que  eu saiba, apenas Sócrates, Vladimir, Tostão, Piazza,  Reinaldo, Ney Conceição, Afonsinho eram já politizados desde  o início de suas respectivas carreiras.

O próximo mundial será realizado no Brasil. O Campeonato Mundial é o maior espetáculo televisivo da face da Terra e movimentam vários bilhões de dólares vendidos pela FIFA  para as emissoras de TV comercializarem com seus anunciantes.

Por conseguinte, as pessoas que  lutam por um país justo, soberano, independente não podem perder esta chance de impedir que o futebol continue sendo utilizado como instrumento de dominação, alienação, exploração do povo brasileiro.
O povo brasileiro em sua maioria não quer choro nem vela pela eliminação da Copa do Mundo. Chorar pelo oitavo lugar não tem sentido. Tem sentido sim, é chorar pelo 88° lugar no mundo em Educação.

No próximo Mundial de 2014, é que eu quero ver todos de camisa amarela, indo para as ruas  participar de manifestações por um Brasil de todos, onde o verdadeiro campeão será o povo.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Futebol e Religião: há explicação?

OBS: Poucos admitem, mas futebol é uma obrigação social para a sociedade brasileira. Ter um time "no coração" é, para quase todos tão importante quanto ter um número na carteira de identidade. Também é uma forma de felicidade postiça para quem não quer, seja por preguiça ou por medo, resolver os problemas de seu cotidiano, numa ilusão que prova a imaturidade de grande maioria do povo brasileiro. Imaturidade que justifica também a alta religiosidade do brasileiro, que utiliza essas duias coisas como fuga para os problemas que se recusa a resolver.

O cara que escreveu este texto e o missivista que o comentou são bem sensatos e reconhecem que, infelizmente, o futebol é ainda uma obrigação social cobrada de maneira rígida, onde quem assume não gostar, é eliminado automaticamente da sociedade, já que a maioria das pessoas não consegue conversar sobre outros assuntos com pessoas estranhas, a não ser sobre futebol.

Futebol e Religião: há explicação?

Claretimus - Blogue Rock 4 Life

Assim que nascemos, o normal é que nossa família se encarregue de nos incluir em alguma religião. Assim ocorre também quando o assunto é futebol: o normal é que alguém da família já defina um "time do coração"  para o recém nascido -- o que muitas vezes já é feito antes mesmo do nascimento!

No caso do futebol, nunca compreendi o motivo de se ter um "time do coração". Não faz sentido. Quase ninguém sabe explicar o motivo de torcer por um time de futebol. É um motivo quase sempre parecido  com aquele que explica a religião do sujeito: geralmente o pai e/ou a família influenciam. Mas e a razão, me pergunto? Ah, esta já foi abandonada faz tempo...

Respeito o esporte; gosto da competição. Dou valor ao entretenimento que o futebol proporciona e concordo que é realmente emocionante -- como qualquer competição esportiva. Até aí tudo bem; agora escolher um time pra torcer pelo resto da vida é que não faz sentido nenhum.

Os jogadores do time mudam ao longo do tempo; os líderes do time também; até o uniforme pode mudar. Logo, nem os jogadores, nem os líderes e nem os uniformes podem ser os motivos pelos quais alguém escolhe um time para torcer. Sendo assim, quais são os motivos? Realmente não sei.

Talvez a escolha de um time seja uma maneira de se "auto-enganar" a fim de tornar os jogos e todo o processo mais emocionante. Olha só, é o princípio da "Matrix": olha a pílula azul aí gente!

Há também a possibilidade da "obrigação social". Muita gente deve ter vergonha de falar que não torce por nenhum time. Aliás, aposto que muitos por aí devem ter um time sim, da época de criança, só pra poder falar que tem um.

Ainda dentro do "social", também podemos tentar explicar a "torcida" citando aquilo que favorece os regimes  totalitários nas mentes dos peões: todo mundo se sente parte de um grupo (a torcida), todo mundo é igual (uniforme), juntos todos são mais fortes (massa)! Além de virar um objetivo de vida para alguns...

Uma vez perguntei a um amigo a razão pela qual ele "amava" o seu time. Ele me respondeu que amava o time dele da mesma maneira que eu amava a minha namorada (ótima resposta, na verdade). Entretanto ele não soube o que me responder quando eu lhe disse que poderia trocar de namorada um dia (se ela mudasse ou se eu mudasse) e perguntei  se ele trocaria de time...

Por enquanto, prefiro vestir a camisa por coisas que trarão retorno positivo para mim, para a minha família e para a sociedade.

Comentário Para o texto acima

Anonymous Coward - Postado no mesmo blogue

É complicado quantificar ou qualificar a "sociedade" quando é muito mais mensurável e questionável a família, os vizinhos, os amigos e os colegas do trabalho.

Mas religião - como futebol - é daquelas coisas que caem no grande balaio das obrigações infantis. Depois que você cresce, não precisa mais fazer essas coisas se não quiser. É claro, um ou dois assuntos para quebrar gelo meio que desaparecem, mas as conversas nas quais engaja-se mais apaixonadamente são sempre melhores do que as sem sal nas que se entra por obrigação.

É um pouco como escolher entre agradar os outros ou a si mesmo. Nem sempre é mutuamente exclusivo, pois você pode falar de futebol sentindo-se pouco atraído pelo assunto.

Mas sou daqueles que pensa que só se engaja em discussão quando se quer muito convencer o outro e que só se quer muito convencer o outro quando não se tem certeza do que se pensa, então não me leve muito a sério.

domingo, 11 de novembro de 2012

A confusão entre país e futebol

Como falei recentemente em outro blogue meu, fanatismo cega. O fanático confunde as coisas e coloca as suas preferência num contexto muito superior à realidade desta preferência. Isso muito comum ao fanatismo pelo futebol.

Para os brasileiros, que normalmente não são muito patriotas (não me refiro à adoração de símbolos, o que acho patético, mas a valorização das pessoas que vivem no país e dos produtos e benefícios que estas produzem), a noção de amor às coisas da terra só se manifesta nos eventos futebolísticos, infelizmente. Como se o país não fosse o Brasil, como nós conhecemos e sim 11 míseros jogadores de parca escolaridade e a missão inútil de apenas entreter as massas. Muitos até acham que vitórias no futebol trazem qualidade de vida, o que é um absurdo sem lógica.

O futebol é tão importante para os brasileiros que em vésperas de copa, os jogadores são tratados como "bravos soldados em luta pela defesa de sua população". Para um país que nunca passou por uma guerra de verdade e é famoso por ser pacífico (nem a violência crescente nas grandes cidades consegue abalar esta fama), é compreensível que a população invente uma "guerra" de mentirinha só para se sentir equiparada a outras nações.

Para piorar, é muito comum as celebridades estrangeiras - certamente orientada por produtores brasileiros - coloquem a camisa da CBF na tentativa de agradar a população (e realmente conseguem agradar), fazendo os fãs dessa celebridade  acreditarem que não é o futebol brasileiro que está sendo homenageado e sim o Brasil propriamente dito. Como se a frase "amo o futebol brasileiro" significasse "amo o Brasil e os brasileiros", coisa que não faz o menor sentido, principalmente para os brasileiros que não curtem futebol, excluídos desta "festa" toda.

A fama de idiotas que os brasileiros tem lá fora aumenta cada vez mais, agravada pelas bobagens que estamos exportando e por esta copa ridícula que está para começar. Brasileiro é considerado um povo infantilizado que prioriza brincadeiras em relação a coisas sérias e isso é motivo de piadas por todo o mundo, nada divulgadas por aqui. Até porque a mídia brasileira quer passar a ideia para nós mesmos de que estamos "corretos" e que priorizar o futebol "não é imaturidade", dando a entender que dá para ser "maduro" colocando a brincadeira acima de assuntos realmente sérios e úteis.

De Gaulle disse que nós não eramos um país sério. Os fatos confirmam isto. Já Sweig disse que seríamos o país do futuro e se matou após dizer isso. A quem deveremos dar razão?

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Desapropriações para a copa: omelete com os ovos de quem?

OBS: Essa denuncia abaixo é grave, pois em nome dessa copa ridícula e onerosa, feita em nome da manutenção do fanatismo alienante do futebol, que robotiza toda a sociedade, pode se fazer tudo. Até mesmo desapropriar casas e prejudicar interesses de cidadãos para obras que nada tem a ver com o evento, mas como acontecerá na mesma época, usa o mesmo com desculpa para a sua "urgência", se aproveitando da desinformação do cidadão.

Essas medidas arbitrárias e claramente cruéis devem ser repudiadas e o poder público deve agir para evitar novas ações desse tipo e punir as feitas, pois não se pode tomar atitudes ilícitas e/ou contra o interesse público em nome da copa, mesmo em obras que não são feitas para ela.

“A situação é muito grave”, diz SDH sobre remoções da Copa

02.11.12  Por Andrea Dip -  #CopaPública

Em entrevista, conselheiro do CDDPH fala sobre GT criado para investigar remoções forçadas para megaeventos e pergunta: “Omelete com os ovos de quem?”

Acolhendo as denúncias dos movimentos populares sobre as remoções forçadas de comunidades para obras da Copa, o Conselho de Defesa do Direito da Pessoa Humana (CDDPH) da Secretaria dos Direitos Humanos criou o Grupo de Trabalho Moradia Adequada em uma inciativa inédita. O GT, criado em agosto, vai recolher informações sobre os problemas de moradia enfrentados pela população, com foco nos impactos de megaprojetos e megaeventos, e encaminhar recomendações aos Municípios e Estados.

Em entrevista ao Copa Pública, o professor e conselheiro do CDDPH, Eugênio Aragão, confirma que a criação do GT é fruto da mobilização da sociedade e da cobrança dos movimentos populares, o que também facilitou o diagnóstico do problema: depois de algumas visitas às cidades sede, o grupo identificou um padrão de violação de direitos: “Com a desculpa de que os moradores são invasores, as prefeituras ignoram por completo seus direitos. Muitas vezes a comunidade está ali há 10, 20 anos e é sistematicamente assediada pela prefeitura”. Aragão afirma também que a desinformação da população sobre as áreas que serão despejadas e o destino que será dado às comunidades é parte de uma tática das gestões municipais para evitar enfrentamento: “Eu diria que manter a população desinformada é parte da tática, para poder surpreendê-la e não contar com resistência organizada judicialmente inclusive”. Leia:

Por que o grupo foi criado?

O GT foi criado a pedido da sociedade civil e de várias entidades vinculadas ao direito de moradia. Temos no grupo representantes dessas entidades, inclusive. O conselho foi pautado pelos movimentos sociais. Nós visitamos até agora Fortaleza, Curitiba, Porto Alegre, Belo Horizonte e Rio de Janeiro.  Temos duas linhas: impactos de megaeventos e impactos de desastres naturais. Muitas vezes a gente sabe que existem obras públicas que não têm nada a ver com a Copa mas que simplesmente são rotuladas assim para passar por cima de tudo e todos. Simplesmente porque tem um “selinho” da Copa do Mundo. Muitas obras são oportunistas neste sentido.

E o que o senhor já pode dizer sobre essas primeiras visitas?
Nós ainda vamos fazer o relatório oficial e as recomendações, mas o que eu posso antecipar é que os problemas são parecidos em todas as cidades. O principal deles é que as obras são feitas implicando no desalojamento de pessoas que nunca são informadas sobre os projetos, datas, quais são os direitos, o que elas vão ganhar em troca, para onde vão, ou seja: se mantém a população afetada em absoluto desconhecimento. Em alguns casos por desorganização e em outros é parte da tática: manter a população desinformada para poder surpreendê-la e não contar com resistência organizada.

O segundo problema é a deslegitimação dos moradores. Com a desculpa de que são invasores, se ignora por completo o direito deles à moradia. Muitas vezes as comunidades estão a 10, 20 anos no mesmo lugar e são sistematicamente assediadas pela prefeitura. Isso é um padrão nas cidades, de desrespeito aos direitos das pessoas, de recusa de diálogo com a comunidade. É uma coisa assustadora. E apoiado por uma classe média que gosta muito dessas medidas de gentrificação urbana que “tiram o feio” de suas vistas.

O senhor falou sobre algumas obras que nem são para os megaeventos…
Mas levam esse “selinho”. Um exemplo é o VLT de Fortaleza. Eu chamo aquilo de uma obra oportunista. O presidente do Metrofor [Companhia Cearense de Transportes Metropolitanos S.A] estava muito bravo quando falou com a gente, dizendo que está fazendo um favor ao contribuinte já que a obra está sendo muito barata. Bom, então por que não aproveita e investe nos bairros? Por que expulsa as pessoas de bairros onde elas estão a 40, 50 anos? A gente ouve falar que não se faz omelete sem quebrar ovos, mas o problema é: de quem se quebram os ovos?

Mas essa inciativa da Secretaria de Direitos Humanos é inédita, não?

No Brasil as coisas se fazem para inglês ver e a gente sabe como nossos administradores trabalham. Por isso a gente tem que ter esta cautela. Talvez a situação mais grave que encontramos tenha sido a da Vila Autódromo no Rio de Janeiro, que está titulada pelo Governo do Estado. O Leonel Brizola deu a eles a concessão de uso para fins de moradia pelo prazo de 99 anos, o Estado depois cedeu uma área enorme ao município mas deixou bem claro que deveria respeitar a Vila Autódromo e a prefeitura diz que não tem nenhuma obrigação com aqueles moradores e que vai tirar de qualquer jeito. E diz que a Vila Autódromo polui a lagoa de Jacarepaguá por causa de aterros, só que ao lado tem o Rock’n’Rio, que invadiu mais de 500 metros da lagoa. Mas aterrar a lagoa tudo bem, sobre isso a prefeitura não reclama. Existe inclusive um projeto de revitalização feito pela UFRJ para a Vila Autódromo que poderia ser um cartão de visitas do Brasil ao mostrar a integração social e ambiental com um projeto de dignificação de vulneráveis. Ao invés disso, o prefeito prefere destruir.

Quais são os próximos passos do GT?


Nós paramos as visitas por causa das eleições, para não parecer algo eleitoreiro, e vamos retomar em novembro. Mas já temos dados suficientes para mostrar nossa tese a respeito de várias recomendações que vão ser feitas. Vamos fazer um relatório com recomendações, que vai ser submetido ao ao CDDPH. Aprovado, ele será remetido à Secretaria dos Direitos Humanos para se articular com outros ministérios e os governos federais e municipais para implementar estas recomendações.

E existe uma data?


Queremos entregar essas recomedações até março no máximo. A situação é muito grave, não dá para esperar mais.

domingo, 4 de novembro de 2012

Heróis de P* nenhuma

Só mesmo um povo ignorante como o brasileiro para subestimar a função de jogador de futebol, cuja única missão é chutar uma mísera bola de borracha em uma rede. Só.

Pois então. A fama do brasileiro em  preferir coisas fúteis e inúteis em detrimento de coisas sérias e de utilidade é consagrada com esta atitude evidentemente infantil. Só por chutar uma mera bolinha, um sujeito é considerado um heróis neste país de anti-intelectuais.

E muitos jogadores são endeusados, como se o que eles fazem fosse considerado de grande utilidade para a melhoria de qualidade de toda a população. Como se ele realmente "salvasse" a população, o que qualquer imbecil sabe que nada tem a ver.

Como é que conseguem enxergar heroísmo em uma mera atitude que mais se assemelha a uma brincadeira de criança. É muita fantasia, muita ilusão. E ainda levam a sério essa atitude, como se fosse algo típico da vida adulta, um sinal de maturidade. Maturidade?

O que os jogadores de futebol fazem não é muito diferente do que os palhaços fazem nos picadeiros. O formato dos estádios de futebol até se parecem com circos sem lona. nada muito diferente.

Então porque levar a sério? Porque matar e morrer por causa deles? Porque condecorá-los com Ordens disso e daquilo? Pra quê? O que eles fazem de útil para a sociedade?

A "seleção" já venceu 5 copas e ninguém ficou melhor por causa disso. pelo contrário. A confiança cega no futebol tem servido de compensação para a não resolução de ternos problemas. Como se o fato de sermos "melhores" no futebol nos dispensassem de sermos os melhores em outros assuntos mais sérios.

E então pra quê cultuar gente como Neymar, Adriano, Ronaldos, que nem como exemplo de seres humanos eles tem serventia? Um bando de inúteis que nada servem além de chutar uma mera bola em uma rede.

Chutar uma bolinha em uma rede... O que há de importante nisso?