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quarta-feira, 30 de maio de 2012

Que peninha, não tem overdose...

A Globo resolveu passar o Cinema Especial para não provocar overdose na "galera", que esperava outro joguinho para urrar feito alce em plena noite de quarta. A rapeize ficou tão tristinha...

Mesmo assim, a turma promete urrar como umas bestas durante o jogo da seleca amarelada, que mesmo sendo um amistoso que não vale p* nenhuma, vai ser no horário nobre (todo mundo vadiando, "galera"!) e o que é "melhor": com a cacatua-mor de protagonista nessa novelinha futebolística que com certeza acabará em final feliz (claro, jogando contra os pernas-de-pau do país do basquete!), para a alegria dos alienados que pensam que futebol é patriotismo e defendem a absurda alucinação de que a vitória amarela acelera a economia, estimulando o povo infantilizado a "trabalhar melhor". 

Quando na realidade todos sabem que ocorre realmente o contrário, não é?

Muito doce para lambuzar!

Hoje é o dia de glória para os futebosteiros. Além do costumeiro jogo do brasileirão (ou da Libertadores, sei lá!), tambem haverá o jogo dos amarelos mais amados do Brasil contra a seleção menos amada do mundo, a seleção dos EUA, mais conhecida como "seleção perna de pau". 

Será um jogo fácil, onde o vencedor, o time dos amarelões, sairá vencedor antes mesmo do pontapé inicial. Para coroar ainda mais a vitória certeira, a cacatua-mor do futebol brasileiro, Neymar, irá fazer seu showzinho para alegrar a petizada que pensa que a paz mundial e o fim das injustiças sociais e econômicas vão chegar em 2014, quando o País das Maravilhas realizará a sua festinha maior para a criançada alucinada. 

Que os fanáticos torçam para que a Globosta não programe um "cinema especial" para depois dos amarelos e escale outro jogo para manter o fanatismo e a alienação em alta neste dia tão "feliz"!

Talvez a paz mundial e a solução para todos os problemas do país já apareçam no amanhecer do dia seguinte.

domingo, 27 de maio de 2012

Eduardo Paes oficializa padronização visual de times cariocas

Agora é lei. O prefeito do Rio Eduardo Paes, preocupado com os rumos da mobilidade urbana, resolveu aderir a uniformização visual dos times de futebol, imposta pela CBF para organizar melhor o esporte. A padronização não se limita apenas aos jogadores, mas a tudo que estiver relacionado a todos os times de futebol, inclusive torcidas. 

Os antigos símbolos como escudos serão extintos e substituídos de acordo com os termos sugeridos pelas autoridades. As autoridades garantiram que o sistema é de fácil identificação, seguindo as regras vigentes. Quem sentir dificuldade de identificar os times na televisão, os locutores serão orientados e treinados para identificar pelos topetes escandalosos dos jogadores. Os placares serão obrigados a identificar o jogador responsável por um gol, na própria tela, junto com a pontuação.

Estas fotos mostram a oficialização da padronização, com o prefeito mostrando o novo uniforme de seu time, o Vasco da Gama, de acordo com as leis vigentes, na intenção de disciplinar e organizar ainda mais o futebol. 

Para Paes, depois do sucesso da padronização visual dos ônibus,  era bom que o futebol seguisse o mesmo caminho. O próximo passo será obrigar todos os cidadãos do Rio a andarem uniformizadas pelas ruas, como ocorre em países desenvolvidos como a China. Paes avisou que esta medida ainda está em estudos.














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NOTA: Esta postagem é uma sátira de protesto contra a uniformização visual dos ônibus do Rio e a uniformização mental do lazer do carioca, que trata o futebol como "obrigação social". A notícia nada tem de verdadeira e as fotos são montagens.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Copa é negócio e não incentiva o esporte, diz especialista

OBS: Pra quem não sabe, esporte de alto investimento é o esporte feito para as grandes competições. nada tem a ver com a prática esportiva de cidadãos comuns.

Não pensem que os jovens carentes de hoje sairão melhores na prática esportiva por causa desta copa e desta olimpíada. Só os profissionais serão beneficiados nestes grandes eventos. E seus troféus e medalhas nunca pertencerão aos cidadãos comuns. Besteira sofrer por vitórias quando não se ganha nada com isso.

Copa é negócio e não incentiva o esporte, diz especialista

24.05.12 Por Ciro Costa - Blog Publica

 "Qual é o apelo do investimento no esporte de alto rendimento? É o fulano que morava na favela, se esforçou, virou um atleta de ponta e foi campeão. Isso é um grande embuste", afirma o pesquisador Valter Bracht.

Para o professor da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) Valter Bracht, doutor pela Universidade de Oldenburg (Alemanha) e coordenador do Laboratório de Estudos em Educação Física (LESEF), os megaeventos reforçam o investimento público no esporte de alto rendimento – profissional, para competição – e deixam o esporte como lazer e prática para saúde cada vez mais fora do alcance das pessoas.

Por isso é pessimista quanto ao legado esportivo da Copa para a população brasileira: “Não são mais usados argumentos como sediar o evento para aumentar a prática esportiva e melhorar a saúde da população. São argumentos que não se sustentam, porque não é esse o mote da realização dessas competições. Os megaeventos são sediados por razões extremamente econômicas, estatais e empresariais”.

Os megaeventos incentivam a cultura esportiva do alto rendimento no país? Que efeito tem, em termos de incentivo ao esporte para a população?

Os megaeventos ajudam a confirmar e a cristalizar no imaginário social um determinado modelo de prática esportiva hegemônico, que é o chamado esporte de alto rendimento. Quando se fala em prática esportiva, as pessoas logo associam isso ao alto rendimento como se ele fosse o único modelo existente. Os megaeveentos reforçam isso também. A grande massa da população não pratica este tipo de atividade mas sim outro tipo de prática corporal que difere muito deste modelo. O esporte de alto rendimento tem realidades e valores diferentes dos da maioria das pessoas, como comprovam pesquisas realizadas por institutos australianos. Mas as políticas públicas que se preocupam com esporte, se referem unicamente ao alto rendimento, e os megaeventos ajudam nesse cenário. Qual é o setor com que o esporte tem condição de interpelar o estado? O de alto rendimento, porque é institucionalizado e tem forças políticas e econômicas significativas. Hoje o sistema esportivo de alto rendimento se apodera de argumentos poderosos, como são os do ponto de vista econômicos (Quantos empregos gera? Quanto movimenta a economia?). Não são mais argumentos de outras épocas, como a disseminação esportiva, mas sim os índices econômicos que são levados em conta. Ou seja, a prática esportiva majoritária praticada pela população é praticamente ignorada.

Quando isso começou?

Desde as Olimpíadas de Munique, em 1974, o sistema esportivo de alto rendimento virou um grande negócio. A FIFA e o COI são grandes multinacionais do negócio esportivo e faturam milhões nesse tipo de evento. A relação do Estado com o esporte passa então a seguir critérios político econômicos, para se beneficiar destes altos lucros. Quando um país decide pela candidatura a um evento como esse, ele se legitima e o legitima a sociedade não pelo viés esportivo, mas pelo viés econômico. Há quarenta anos, era um ônus esportivo sediar um megaevento, mas hoje é um grande negócio. Dependendo de como é realizado, dependendo do grau de comprometimento com o interesse da iniciativa privada, ocorre uma grande transferência de recursos públicos para a iniciativa privada, que também sai lucrando muito e tende a apoiar esse tipo de modelo. E isso não ocorreu só no Brasil, mas em outros países também. Sempre há o argumento de que o grosso do investimento vai ser privado, mas o resto a gente já conhece… Os megaeventos são sediados por razões extremamente econômicas, estatais e empresariais, embora isso seja vendido de outra forma. Existem até casos específicos, como a olimpíada de Sydney, em que esse modelo diminuiu o número de praticantes. O esporte-lazer demanda outro tipo de investimento. Ao invés de um velódromo, seria interessante investir em ciclovias. Ou no aparelhamento do sistema estadual de educação, pois as escolas não dispõem de equipamentos básicos mínimos. Agora imagine o investimento feitos em estádios e os valores neles investidos. São contradições colocadas à sociedade, entre o modelo e as práticas preponderantes.

Você percebe algum tipo de preocupação das entidades envolvidas na realização da Copa com o fortalecimento do esporte nas escolas, por exemplo?

Vejo justamente ao contrário. De certa forma, o Ministério da Cultura vem sendo negligente e permite que o Ministério do Esporte, mobilizado pelo interesse do sistema esportivo, deixe de avançar sobre a escola e investir nesse sentido. Essa semana tive que assistir horrorizado à série de reportagens do Jornal Nacional sobre as Olimpíadas Escolares. Apesar de serem atividades em escolas elas, paradoxalmente, são iniciativas do COB e motivados pela Rede Globo. E qual é o modelo? Não é o esporte escolar, mas o esporte como competição. É um modelo que possui legitimidade social e tanto a mídia, como os órgãos governamentais se valem disso. Eu não conheço nenhum projeto de melhoria da iniciativa do esporte escolar, a partir desse megaevento. O que se quer é investir na escola no esporte de competição, para criar campeões, o que é uma grande mentira. O modelo do esporte dos megaeventos não serve à população comum. Para a prática esportiva da maioria da população, teria que se incentivar outras formas de evento. Na Europa, por exemplo, há um evento que em princípio se reúnem 10, 20 mil pessoas que apresentavam o que eles faziam nas asssociações e clubes de suas cidades. Esses sim são eventos que poderiam ter uma repercussão mais interessante para a maioria da população. Qual é o apelo do investimento no alto rendimento? É: “O fulano que morava na favela, se esforçou, virou um atleta de ponta e foi campeão”. Isso é um grande embuste, é só ver o que acontece nas peneiras de futebol. Tem cinco mil garotos, passam cinco. Aí a imprensa segue os cinco, mas não diz o que aconteceu com os 4995 que ficaram e voltaram à sua condição. Então, é uma estrutura hierarquizada e que não serve para a população do ponto de vista de um ganho público. É um grande negocio e acho mais justo que ele seja tratado assim, inclusive pelo governo. Quem vai nadar no parque aquático? Quem vai andar de bicicleta no velódromo? O legado, em termos esportivos, é nulo para a maioria da população.

O que é o esporte escolar?

Aqui no Brasil, o esporte praticado nas escolas é uma extensão do sistema esportivo, da competição. Ao invés de ser o esporte “da” escola é o esporte “na” escola. O que a gente propõe é que a escola invente um esporte a partir de sua própria lógica. Porque você tem dois mundos diferentes. Enquanto o esporte é competitivo e excludente, a escola quer incluir e socializar. O que aconteceu com os portadores de necessidades especiais nas escolas? Tirou-se eles das APAEs e os colocaram na escola dita normal. No caso do esporte é diferente, há uma olimpíada e uma paraolimpíada. Então os modelos são contraditórios. O esporte de alto rendimento segue códigos que não são sensíveis ao argumento da educação e nem da saúde.

Quais são os critérios do investimento estatal no esporte hoje?

Antigamente tínhamos o esporte como forma de lazer, que era propiciado pela iniciativa privada. Isso ocorria no chamado associacionismo, dos clubes e associações de bairro. Esse modelo foi minguando porque o Estado pouco intervém aí, ele sempre olha pelo alto rendimento. A unica exceção foi o “Esporte para Todos”, nos anos 80. O estado de bem-estar social ajudou é claro nos investimentos, mas havia investimento na corrida de rua e uma das grandes motivações foi o aumento dos gastos do sistema de saúde, com o aumento do sedentarismo. Então motivou-se por a + b, que os custos de saúde eram altos pelo sedentarismo e a prática esportiva ajudava a reduzir esse custo. A ideia era propor ao associacionismo formas para motivar as práticas de lazer. Recentemente, houve outro fenômeno que provocou senão o desaparecimento, a diminuição do associacionismo, pois há a disseminação da prestação de serviços, como as academias que estão em cada esquina. A relação da prática esportiva não é mais com um associacionismo, mas com a prestação de serviços. Essa lógica do lucro sempre é valorizada. O Governo Federal tem alguns programas para motivar as prefeituras a disponibilizar recursos para o esporte lazer, mas o volume de recursos ainda vem a conta-gotas. Para minha visão política, essa seria a grande prioridade. Mas isso não significa construir velódromo, mas investir, por exemplo, em parques com espaços para práticas corporais, isso sim seria um investimento de acordo com os hábitos da população.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

João Saldanha: "futebol é só divertimento"

Nesta entrevista a jornalista Cidinha Campos, o famoso jornalista esportivo e ex-técnico, fala entre outras coisas, que futebol é só um divertimento. Que nada tem a ver com política, como até hoje gostam de pensar. 

O povo brasileiro pode não ser o único povo fanático pelo futebol. Mas é o único que dá importância cívica e política ao mesmo, acreditando até que a vitória em uma copa impulsiona a economia nacional, fato que a realidade já provou ser impossível, pois uma coisa nada tem a ver com a outra. 

Aliás, muitas vezes acontece o contrário, com o fracasso econômico causado pela inércia resultante da letargia hipnótica causada pela vitória de algum time ou da "seleção", obrigando a todos a largarem seus úteis afazeres para se dedicarem a inútil comemoração de algo puramente lúdico. O futebol é uma grade prova da imaturidade do povo brasileiros, que vive priorizando a diversão.

O povo brasileiro grita, sofre, se esperneia e até mata por causa e títulos que não trarão benefícios reais a nenhum cidadão brasileiro. Somente aos jogadores, equipe técnica, cartolas e patrocinadores, gente envolvida diretamente com o futebol. 

Futebol é só lazer. Tão importante para a sociedade brasileira quando a cambalhota de um palhaço em um picadeiro. 



domingo, 20 de maio de 2012

Forçando a barra no futebol

Visitando comunidades sobre celebridades no Orkut, vi que uns engraçadinhos estava comentando sobre qual time torce a celebridade. Aí eu pensei sobre o assunto.

Tentam colocar futebol em tudo, mesmo quando o tal esporte deveria estar ausente. Brincadeira de criança tem que citar futebol. Em propagandas de governo, lá estão referências ao futebol. Em muitas situações em que o dito cujo não deveria sequer ser mencionado, lá está a temida bolinha rolando. 

Isso sem falar na presença de jogadores de futebol em clipes e em anúncios que nada tem a ver com a citada modalidade esportiva.

Porque será que em assuntos alheios ao futebol, sempre aparece algum palerma tentando criar na marra uma associação ao esporte no Neimarola? Será que ninguém consegue ficar longe de futebol pelo menos em um instante?

Isso é forçar a barra tentando fazer com que o futebol esteja em todos os momentos de nossa vida, como se o mesmo fosse parte de nossa personalidade. Será que o mais martelado esporte do Brasil não consegue encher o saco com essa batida tão frequente em nossas carentes cabecinhas?

Como é que os brasileiros conseguem aguentar tanta martelada na cabeça? E ainda ficar feliz com isso?

Que saco!

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Me interessa saber como os torcedores estão comemorando?

Na última segunda feira, os telejornais do país colocaram longas reportagens sobre as comemorações de torcedores pelas vitórias de seus times em campeonatos locais. Reportagens longas, mas totalmente sem conteúdo, resumidas a comentários óbvios e pessoais de torcedores embasbacados.

Não dava para colocar reportagens curtas resumidas a uma frase: "os torcedores do time "X" estão felizes com a conquista do título"? Porque tem que fazer longuíssimas reportagens recheadas de pieguice e muita bobagem? Como levar a sério o futebol desta maneira? Melhor assumir que é um esporte de bocós!

Um grande espaço televisivo sendo desperdiçado em prol de muita bobagem redundante que nada irá trazer de importante aos telespectadores, além de nenhum benefício concreto aos torcedores (a taça ganha pelos times nunca vai para a mão dos torcedores, HELLO!), que utilizam a ilusão da felicidade fictícia do futebol como fuga para os seculares problemas que os mesmos se recusam em resolver.

E aí pergunto: pra que eu tenho que saber como os torcedores estão comemorando? Eles que se virem para celebrar a estupidez humana do brasileiro futebosteiro!

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Fifa diz que é crítica situação dos estádios da Copa-2014

OBS: O governo e as autoridades envolvidas estão forçando a barra de maneira insistente, fazendo de tudo para que essa copa aconteça de qualquer maneira. Não sabem que será bem menos vergonhoso desistir agora e entregar a chance de realização para outro país mais preparado, deixando para outro ano a realização da copa no Brasil.

Está na cara que muita coisa nem chegou a 10% do que deveria estar pronto, o que mostra que, além do grande gasto financeiro que resultará numa enorme recessão em 2015, ainda teremos uma copa feita no improviso, na aparência e que também pode garantir, na roubalheira, a vitória forjada da "seleção" (como foi na fraudulenta copa de 2012) para cegar os olhos da população brasileira que, iludido com a vitória na própria "casa", nem prestará atenção para os problemas que surgirão desse evento atrapalhado e muito mal administrado.

Está muito longe da população brasileira se tornar um povo amadurecido.

Fifa diz que é crítica situação dos estádios da Copa-2014

15/05/2012 - 06h35 na Folha - Caderno de Esportes - Atualizado às 15h45.

Um documento obtido pela Folha mostra que a Fifa considera crítica a situação das obras de estádios da Copa do Mundo.

A informação está na reportagem, assinada por Juca Kfouri, Marcel Rizzo e Martín Fernandez, publicada nesta terça-feira. A íntegra da matéria está disponível para assinantes do jornal e do UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha.

 Para a Fifa, há risco de atraso, em alguma proporção, em cinco arenas. A preocupação principal é com o estádio de Natal (RN), apontado como de "alto risco" de não ficar pronto a tempo para o Mundial. Das 12 sedes, Fortaleza é a única no prazo. O panorama para a Copa da Confederações de 2013 é ainda mais crítico. A Fifa aponta atrasos em três das quatro sedes já anunciadas para a competição.

A entidade reclama da burocracia e do "excesso de politização" dos processos no Brasil, mas elogia, em todos os níveis de governo, a disposição para acelerar as obras. E, portanto, para gastar mais.

O relatório que faz um raio-X completo das obras dos 12 estádios para a Copa possui 83 páginas e tem a data de 1º de maio.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Rio de Janeiro: Copa do Mundo todo ano, o ano todo

É fato confirmado o de que é no Rio de Janeiro é que se encontra o povo mais fanático por futebol, graças ao prestígio nacional e até mundial dos times locais. Um fanatismo cego e irracional que acaba por agravar mais ainda a ideia falsa de que o futebol é um dever cívico/social. 

Assumir que não curte futebol no Rio de Janeiro chega inclusive a render inimizades, pois qualquer torcedor prefere fazer amizade com um torcedor do time adversário do que admitir e respeitar quem prefere se manter alheio a citada  modalidade esportiva, já que o nativo local inclui o gosto pelo futebol na lista de regras da etiqueta social.

O fanatismo daqui é tanto, que quem vive no RJ e não curte o tal esporte, além de apreciar uma vida tranquila e sem barulho, como eu, sofre, tendo seu direito ao sossego negado por um bando de fanáticos que acha que berrar por um time é a sua razão de viver. Pelo jeito o povo do Rio detesta sossego e tranquilidade. Ou acha que berrar durante jogos é que significa tranquilidade.

Sensação de Copa do Mundo anual e diária

Para quem não vive no RJ, tem mais acesso a uma vida sossegada. O fanatismo fora das terras de Mem de Sá não é tão forte. Quando eu morava em Salvador, não eram todos os lares que tinham fanáticos dispostos a berrar feito alces, atrapalhando o sossego da vizinhança. E além disso, não havia berros em jogos noturnos de quarta, normalmente protagonizados pelas estrelas cariocas.

Apenas nas épocas de Copa do Mundo, de 4 em 4 anos e durante um mês, é que o sossego era quebrado. Mesmo assim, nota-se que a "seleção" não é uma unanimidade na Bahia, pois até os mais fanáticos futebosteiros preferiam direcionar sua paixão aos mais fortes times locais, Bahia ou Vitória, enquanto a Copa era majoritariamente seguida - acreditem se quiser - por quem não costuma curtir futebol, acreditando estar seguindo um dever cívico. Puro delírio.

Mas no Rio de Janeiro, essa sensação que só ocorre nos quasriênios, ocorre todos os anos. E o pior, não é durante um mês, mas o ano todo. O descanso na verdade só acontece entre o mio de dezembro e o final de janeiro, quando começam os campeonatos regionais, tendo o seu auge no Campeonato Brasileiro e na Libertadores das Américas.

O futebol tem sido uma prova de que não vivemos em uma democracia real, onde todos deveriam ter o seu direito respeitado. A nossa "democracia" é uma democracia de maioria, onde que não prefere acompanhar a correnteza, além de ser excluído da sociedade, ainda tem que arcar com os danos gerados pela maioria protegida pela sociedade, pela mídia e pelas autoridades, estas ultimas que deveriam fazer com que as leis também garantissem o bem estar da minoria, algo que nunca é posto em prática em nosso país, sobretudo no Rio de Janeiro.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

O Direito de Berrar

Uma das coisas que me fazem pensar a respeito da gigantesca - e estranha, pois esse esporte não tem características que o faça "brilhante", "atraente" - popularidade do futebol é que o mesmo dá a oportunidade de uma pessoa berrar sem que isso seja visto como uma gafe. Todo mundo sabe que é só nesta hora - e nas de perigo ou alerta - que não é estranho dar gritos.

Além do desabafo de um cotidiano cheio de problemas - muitos preferem fugir do que resolver suas incomodações -, o futebol voltou ao auge justamente numa época de emburrecimento da sociedade brasileira, onde, em vários setores, observa-se uma incessante queda de valores, somada a aversão quase militante à qualquer coisa que represente alguma intelectualidade. 

É observado que as pessoas procurar cada vez mais formas de lazer mais catárticas, que lhe deem a oportunidade de gritar e pular - e até agredir, se "necessário". Ficou no passado a ideia de se divertir apenas para extrair prazer. E isso se nota não só no futebol, mas em todas as formas de lazer. Dos anos 90 pra cá, inventaram que lazer é oportunidade para "extravazar" e isso ficou até agora, pois foi ensinado para os jovens surgidos desde então.

E a catarse se torna a oportunidade de voltar a Idade da Pedra, onde o ser humano se comunicava aos berros, faz o ser humano recuperar a sua essência animal e recorrer aos instintos para compensar aquilo que não consegue - ou não quer - resolver.

No futebol, o negócio é tão instintivo que se uma lei proibisse os torcedores de berrar, ia ser uma revolta geral, argumentando que o futebol não teria graça se não houvesse berros. Ué, todos gostam de futebol só para berrar? Isso reforça minha tese.

E quem não curte futebol é obrigado a abrir mão do sossego em seu tempo livre e ser forçado a sentir como se estivesse dormindo em um estádio de futebol, já que os brucutus tecnológicos não conseguem frear seus instintos na tentativa de seres humanos se tornarem mais civilizados.

Pelo jeito, brasileiro não gosta de futebol. Gosta de berrar. E o futebol dá a oportunidade perfeita para isso.

domingo, 6 de maio de 2012

Domingo é dia de descanso. Não para vizinhos de torcedores.

Domingo. Dia que por lei é garantido para o descanso de muitos profissionais após uma semana cansativa de trabalho. Descanso? Nem sempre. Ou melhor, quase nunca. pelo menos para quem é vizinho de algum torcedor de futebol.

Sempre aparece algum torcedor com a goela bem afinada para acabar com o sossego de algum cidadão. O que leva a supor que as pessoas gostam de futebol não pelo esporte em si, mas para terem a oportunidade de berrar feito alces, desabafando dos problemas que não conseguem - ou não querem - resolver.

Não dá para entender porque os torcedores acham tão necessário fazer isso. Eles não sabem que isso incomoda? Eles gostariam que fizessem com eles quando eles querem realmente descanso? E será que els não gostam de sossego ou acham que descansar é sinônimo de berrar feito doidos?

Só sei que para quem quer um final de semana tranquilo, é melhor viver na zona rural, de preferência longe de algum vizinho que ache mais importante berrar em prol de uma vitória inútil que nada irá mudar a vida de quem torce.


terça-feira, 1 de maio de 2012

Futebol, esporte de fanáticos, de alienados... e de hipócritas também!

Em nosso país, o fato de gostar de futebol é considerado uma exigência social, quase uma etiqueta. Quem não curte futebol é jogado para um canto, tachado de "antipático" e "de mal com a vida", muitas vezes perdendo alguns direitos, que só a vida social constante pode favorecer.

E graças a essa obrigação social, muita gente excelente nível de instrução e de grandes posses financeiras, acaba aderindo ao futebol, se esquecendo que é o mesmíssimo esporte cultuado pelos pobres e/ou analfabetos que costumam renegar. Até os jogadores de futebol vem de origens paupérrimas, usando o esporte para se evoluírem materialmente - pois intelectualmente evoluem muito pouco, somente ao que a etiqueta exige.

Futebol contribui para a decadência cultural

Desde os anos 90, aconteceu no Brasil um fenômeno chamado de "novos ricos" ou emergentes, com pessoas de classes baixas que se tornavam ricos de uma hora para a outra, mas sem eliminar gostos, costumes e crenças que possuíam, quando eram pobres. Com a multiplicação deles, os ricos tradicionais tiveram que repensar seus costumes, descobrindo poderiam ser ridículos sem precisar desobedecer as regras de etiqueta.

E  isso resultou em festas chiques com péssimas trilhas sonoras, gírias, atitudes promíscuas, bebedeira, vulgaridade, etc. Gasta-se muito com pompa, para manter a aparência de "chiques", mas indo a estas festas percebe-se que o glamour é pura fachada.

E aí entra o futebol, onde vemos respeitáveis advogados, médicos, engenheiros, publicitários e até executivos e empresários, conversando sobre as jogadas do final de semana do mesmo jeito que os favelados fazem em seus botecos de esquina, mostrando que para os brasileiros, a sociedade vai se "evoluir" através da decadência cultural, com todo mundo posando de favelado, seja qual for tamanho da renda do final do mês.

Futebol une as pessoas. Mas quando o futebol acaba, a desunião volta

O curioso é que se entrar algum favelado como penetra de alguma destas festas, logo será expulso, numa verdadeira prova de hipocrisia de nossa "alta sociedade" brasileira, que finge gostar de pobre, quer agir como pobre, sambar como pobre, se divertir como pobre, tranformando suas mansões em réplicas "bem acabadas" de lajes periféricas. 

Mas na hora de agradar algum pobre, ajudando-o a tirar da sua situação miserável, nem adianta torcer para o mesmo time. Onde entra dinheiro e benefícios, ricos e pobres passam a fazer parte de torcidas rivais, sempre. Não há vitória de time algum que resolva esta injustiça.