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domingo, 21 de dezembro de 2014

Surpreendente compensação?

Justamente no final do ano em que a superestimada "seleção" brasileira (que não é tratada como se fosse uma equipe de futebol e sim como símbolo cívico oficialesco) teve uma derrota retumbante na copa que tentou organizar, outro esporte, muito mais impopular que o futebol, consagraria sua inédita vitória mundial: o surfe.

O brasileiro Gabriel Medina acaba de se consagrar como campeão mundial deste ano, feito que nenhum brasileiro havia conseguido. Claro que os hipócritas de plantão, gente que sempre afirmou detestar surfe por ser "esporte de playboyzinho", postou sua falsa comemoração nas redes sociais para não parecer que "só gosta de futebol". Sabe-se que nas redes sociais e nos blogues, o fanatismo pelo futebol é altamente criticado, embora essas críticas não consigam mudar os costumes desses fanáticos, que pelo jeito, topam numa boa cometer gafes em nome do futebol. Se bem que gafes cometidas por maiorias não soam como gafes.

É irônico que Medina tenha ganhado seu título justamente neste ano. Outro esporte, o automobilismo, teve outra vitória surpreendente este ano, pois Rubens Barrichello, alvo de tantas piadas sobre sua falta de sorte na Fórmula 1, mudou de categoria e ganhou um importante título na stock car, onde carros de passeio são adaptados para correr em alta velocidade.

Claro que os brasileiros, apesar de demonstrar alguma alegria com essas vitórias, não parece satisfeito. Vencer nestas modalidades esportivas parece não ter muita graça para os brasileiros. Legal mesmo era ter obtido o hexacampeonato em casa. Brasileiros, um povo acomodado, viciado em seus costumes mais banais, bravos defensores de suas zonas de conforto, só querem mesmo é vitória no futebol. Vitórias em outros esportes são supérfluas, podem ou não ocorrer, não importa. 

O que marcou para a grande massa de alienados, foi a humilhante derrota na copa. Para a massa, nenhuma vitória em outras modalidades esportivas compensa uma derrota no futebol. Recusamos a nossa vocação para a diversidade, aprendendo a gostar de uma coisa só. 

Parabéns, Medina! Parabéns, Barrichello! Que venham muitas vitórias em outros esportes para acabar com o monopólio narcotizante do ultra-estimado futebol.