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sábado, 7 de dezembro de 2013

Macunaímas, uni-vos

OBS: A sociedade brasileira é praticante do "jeitinho", não quer resolver problema, não age quando deve, mas quando quer se dar bem em algo, arma tudo de maneira improvisada e às vezes desonesta para que algum objetivo seja alcançado. Foi assim na desonesta campanha que resultou na conquista do pentacampeonato e está sendo desde já, na realização desta copa supérflua. 

Claro que o hexa está garantido, ainda mais com seleções fracas como adversárias. Mas após finada a copa, a ressaca será bem dolorida para a cabeça dos brasileiros, tão dolorida que nem um troféu de hexacampeão ira servir para amenizar as dores que serão beem fortes.

Povo tolo metido a esperto, praticante do "jeitinho", sabe muito bem que após a copa, não há quem dê jeito, jeitinho e jeitão para fazer o Brasil se recuperar da grave crise que o país espera.

PS: Como Ronaldo tá gordo! Pelo jeito os zilhões pagos a ele no quadro de emagrecimento do Fantástico só serviram para atrair audiência. Só isso.

Macunaímas, uni-vos

Postado por José Antonio Lima em 05/12/2013 - Carta Capital

Determinados setores da sociedade devem estar se regozijando com as palavras de Bebeto, Ronaldo e do ministro do Esporte, Aldo Rebelo, sobre os preparativos para a Copa do Mundo. Elas são exemplo do mais pútrido tipo de nacionalismo, um que viceja no Brasil com a aproximação do mundial.

Na quarta-feira, enquanto jornalistas estrangeiros riam da situação dos estádios, Aldo comparava a construção das arenas a casamentos e dizia nunca ter visto um não ocorrer por conta do atraso da noiva. Uma tranquilidade inusitada, tendo em vista que o estádio da abertura está parcialmente destruído.

Bebeto, por sua vez, pareceu chateado com as críticas que seu ex-companheiro de ataque na seleção, o agora deputado federal Romário (PSB-RJ), tem feito à organização do mundial. “A luta é de todos nós brasileiros. (…) É o nome do nosso país que está em jogo. Temos que lutar para o Brasil fazer um dos melhores Mundiais de todos os tempos”, disse. Romário luta criticando e pedindo melhorias. Bebeto luta escondendo a sujeira embaixo do tapete.

Ronaldo, que se apresentou para uma Copa do Mundo dez quilos acima do peso, foi mais anedótico. “O gringo, no geral, não conhece o nosso jeitinho brasileiro de ser e fazer as coisas. É muito característico isso no brasileiro, de fazer as coisas no último momento e começar uma correria, mas a gente tem todas as garantias de que todos os estádios estarão prontos para a Copa”, disse Ronaldo. “Não compromete em absolutamente nada se atrasar um mês ou dois”, afirmou. O fato de Joseph Blatter estar pedindo a ajuda a Deus não corrobora os comentários do Fenômeno.

Há algumas semanas, escrevi um texto alertando sobre a possibilidade de as comemorações com dancinhas serem a face visível de uma mudança de comportamento por parte dos jogadores da seleção brasileira. Ali tratei do “espírito macunaíma”, uma parábola que serve para identificar fatos como a ironia de Rebelo, o comportamento de Bebeto e o jeitinho do qual fala Ronaldo. Impedir críticas a este estilo de agir, que muitas vezes se manifesta não só no futebol, mas na política, na educação, na saúde e arrasta o Brasil para trás, é lutar para manter o status quo, que no caso deste país é lastimável.

Na Copa, o vexame está posto. Tristemente, prevalece a supressão às críticas ao Brasil e à organização. É preciso “ousar ser brasileiro”, mas não esquecer da regra do “ame-o ou deixe-o”. Os macunaímas estão vencendo.

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