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quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Porque a grande maioria dos esportistas são alienados?

Muita gente pode até não reparar, até porque toda a magia que cerca o esporte no Brasil acaba cegando a consciência, mas quase todos os atletas brasileiros, de qualquer modalidade esportiva, são alienados, seguem ideais conservadores e pulam fora de qualquer tipo de campanha ou manifestação que pretenda fazer alguma mudança social ou no sistema em que vivemos. No máximo, campanhas de "solidariedade" que se limitem a caridade estereotipada que consola mas não melhora nada. 

Mas porque pessoas estigmatizadas como "heróis" e cultuadas por imensas multidões perdem essa oportunidade única de usar o prestígio e a popularidade para tentar de fato melhorar a vida para a coletividade? Há uma explicação para isso.

O esporte, pelas suas características, por incrível que possa parecer, é tipicamente conservador. Sua função é através da catarse (explosão de tensões - "adrenalina"), criar uma espécie de "fuga" para permitir a permanência da estrutura do poder que existe em nosso sistema. O esporte, junto com a religião, é um grande aliado na tentativa de alienação das grandes massas.

Além disso, qualquer esporte carrega em si a defesa de valores conservadores que são interessantes para as classes dominantes:
- Valorização e estímulo à competitividade, ou seja, o forte age em prejuízo do fraco (egoísmo);
- Obediência cega e submissa a regras;
- Perfeição física e a aquisição de privilégios condicionada a isto.

Isso tudo faz com que o esporte se torne algo bastante conservador. Tanto é que em épocas de grave alienação coletiva, como na época do AI5 e nos dias de hoje, o esporte encontra seu auge. Pessoas de ideias conservadoras normalmente superestimam o esporte e muitos até acham que deve substituir a educação. O que seria de fato catastrófico, com graves danos sociais, já que além de esporte não ter sido criado para educar, suas características não permitem a sua utilização na educação de pessoas. O esporte estimula a submissão ideológica, o excesso de confiança, o egoísmo e a utopia da perfeição física, valores contrários ao de uma pessoa bem educada.

Talvez isso tudo, somado ao fato de que políticos e empresários, interessados na permanência de tudo que está de errado na sociedade, patrocinam o esporte, faz com que os atletas se tornem intelectualmente passivos, politicamente alienados e submissos ao sistema. Poucos atletas na historia mundial se envolveram em ativismos (não confundam com campanhas de "solidariedade" frouxa, a caridade estereotipada) e muitos só o fazem após a aposentadoria, como o excelente e raro exemplo do ex-jogador Romário, hoje um ativista sério, envolvido em várias causas humanitárias.

Talvez este texto tenha ajudado a entender a tão costumeira alienação de nossos atletas, verdadeiros leões durante as partidas, mas verdadeiros carneirinhos medrosos fora de suas atividades esportivas.

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