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quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Empregos para a copa de 2014 serão temporários

Mania das pessoas que adoram futilidades, que na hora de se defenderem das críticas vindas de pessoas mais esclarecidas, para não parecerem burras ou alienadas, lançam mão de justificativas "nobres" para dar uma postiça consistência à futilidade que defendem.

Está sendo assim com muitas coisas e principalmente com a copa de 2014, um evento que veio num momento errado e mostrou a imaturidade de nossas autoridades, muito mais preocupadas em dar uma festinha do que melhorar as condições de vida da população. Quem é coerente sabe que as "melhorias" que virão com a copa de 2014 nada passam de mero consumismo e que serviços essenciais poderão ter a verba cortada para favorecer as obras para agradar os turistas - que não são "todas as pessoas do mundo" - que virão assistir aos jogos.

Mas os fanáticos pelo futebol se orgulham de sediarem o maior evento de seu esporte favorito. E para isso, farão de tudo para defender a decisão - equivocada , de fato, mas não para os torcedores fanáticos - tomada pelas autoridades.

Um dos argumentos favoritos para a defesa de realização da copa de 2014 em nosso território é que o evento irá trazer muitos empregos. Empregos, até vai, porque os organizadores precisarão de muita gente para atender aos turistas que virão aqui (embora boa parte desses empregos não seja remunerada, pois contratará voluntários - escravidão?).

Mas não repararam que os empregos abertos em sua maioria estão diretamente ligados ao evento? Ou seja, acabando a copa de 2014, ainda no final de julho do mesmo ano, os contratados serão "gentilmente" convidados a irem para o olho da rua, pois não haverá mais motivo para mantê-los trabalhando. Como se a copa acabou?

É ingenuidade dos defensores da realização do evento - aliás, ingenuidade é com eles mesmo - comemorar o aumento dos empregos para essa copa besta. O Brasil terá uma nova cara após o encerramento dos eventos: e não será uma cara bonita.

Conselho para aqueles que irão trabalhar nestes empregos temporários da copa: invistam o que ganharem de salário para que possam arrumar nova fonte de renda com o fim do evento.

E uma pergunta que me paira a mente: porque será que da noite para o dia todo mundo passou a confiar em nossas autoridades, acostumadas a mentir e roubar? Estranho...

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

O que Neymar fez para ser tããão influente?

Um gurizinho de cabelo em pé chega. Multidões ficam histéricas. Homens copiam seu visual, antes rejeitado por estar associado a - verdadeira - rebeldia. Mulheres morrem de amores, mesmo sabendo que ele é feio pra cacete, com a inconfundível "cara de pobretão". Ele dá entrevistas, posa com celebridades, fala com autoridades. É respeitado, idolatrado, seguido, obedecido! Tudo que ele fala vira ordem. Ganha um gigantesco salário, acrescido de merchandising, participações em programas e o que vier. Ele tem poder. Atende pelo estranho nome de pobretão: Neymar.

Como uma nulidade dessas, de baixo nível intelectual, de péssimas referências culturais, vira uma espécie de "autoridade" só porque sabe chutar uma bolinha em uma trave? Somente o fanatismo de uma população de baixa auto-estima, que acha que o futebol vai salvar o país, sendo a "única alegria" dessa mesma população, pode justificar o culto maciço e intenso dedicado a uma nulidade chamada Neymar.

E se preparem. O primeiro ídolo fabricado do futebol, o primeiro da era do marketing tecnológico, um robô de carne-e-osso, será a grande estrela da copa de 2014. O que não se sabe é aquela questão "Tostines": Neymar foi feito para a copa de 2014 ou a copa de 2014 foi feita para Neymar? Talvez sejam as duas coisas.

Sinceramente fico triste em saber que Neymar é o homem mais idolatrado e seguido pelos brasileiros neste último ano. Uma população que ignora artistas verdadeiros, intelectuais, cientistas, filósofos, gente que pensa e se esforça para fazer desse país um lugar melhor, todos trocados por um mero rapazinho, só porque ele corre atrás de uma bola e chuta para uma trave. Como se a vida dos brasileiros dependesse de um chute dele.

Mas não nos preocupemos. Quem não tem consistência, some. Talvez ele seja a pessoa certa para acabar com o secular fanatismo futebolístico que tanto entorpece a nossa população. Talvez o futebol tenha que ter pessoas ridículas em seu meio para que esta ridicularização faça com que os fanáticos torcedores tenham a vergonha de serem fanáticos. Tenham a vergonha de trocarem suas vidas por um mísero momento de ilusão de apenas 90 minutos.

Talvez o Neymar seja o grande palhaço deste circo inútil. Resta saber o que ele fará, após o circo pegar fogo. Já estou sentindo a brasa arder...

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Copa de 2014: todos juntos vamos... pela corrupção

Os brasileiros só vão aprender apanhando. Não sabem que prevenir é melhor que remediar. A submissão a mídia e às regras sociais estão atingindo níveis assustadores. O senso crítico e a coerência saíram de moda há muito tempo e todos preferem justificar com bobagens a realização dessa copa ao mesmo tempo inútil e onerosa.

Ninguém consegue perceber, além dos mais esclarecidos, é claro, que o verdadeiro interesse das autoridades na realização desse evento é ganhar muito dinheiro com ele e projetar a imagem das mesmas autoridades para o mundo como "aqueles que organizaram a grande copa de 2014". Nas propagandas, tiveram a audácia de inventarem que a copa de 2014 foi para o interesse do povo.

Tradicionalmente, em sociedades atrasadas, autoridades não governam para o povo. Governam para os empresários que financiam suas campanhas. Tanto é que os grandes empresários são os únicos que podem falar grosso com autoridades do executivo. E é visando os interesses dos detentores do poder e da maior parte da renda do país, que esta copa está para a acontecer no Brasil.

E a população, cega pela parca educação e pela s informações desencontradas que são despejadas nos meios de comunicação, sem saber realmente o que está acontecendo, aplaude a realização desse evento (mesmo que finjam o oposto nas redes sociais), sem mesmo saber que as autoridades que governam o país agirão como "Robins Wood às avessas", tirando o suado e pequeno rendimento do trabalhador para colocá-lo nas mãos dos já abastados ricaços que verdadeiramente mandam em nosso país. O poder executivo, na verdade, vem das grandes empresas.

Para piorar, há o fanatismo futebolístico, câncer da sociedade brasileira, que cega mais que raio ultra-violeta, que faz ainda mais a população ficar a favor da realização desse evento. Para quem acha que pátria é a "seleção" brasileira de futebol e que os jogadores são heróis que nos representam, nada mais - infelizmente - natural que a população quase toda seja a favor da realização dessa copa.

Como já é tarde demais para recuar, o jeito é nos preparamos para os danos que certamente aparecerão ao encerrar a tal copa. Se bem que já estamos sofrendo as consequências , com a redução de investimentos em setores sérios da sociedade, como saúde e educação, esta com redução ainda maior, além do emperramento das obras que, cá para nós, só surgiram por causa da necessidade de usá-las para superfaturar fortunas.

Até quando a população vai deixar de perceber que está sendo enganada por autoridades, empresáriado e mídia?

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Não adianta, está difícil dissociar futebol de patriotismo

O mercado publicitário sabe que o mito de patriotismo tempera o gosto pelo futebol tornando o "mais divertido" e "mais emocionante". Os brasileiros entendem o futebol como única oportunidade de demonstrarem seu amor pelas coisas do país e gerou os apelidos pejorativos de "Pátria de Chuteiras" e "Patriotas de Copa", que nos transformam em objeto de chacota pelo mundo afora.

Futebol gera muito dinheiro. Confundido como uma obrigação, e por isso mesmo sendo visto como um bem de primeiríssima necessidade, ele se torna uma fonte de renda certeira, cujos lucros podem ser previstos com absoluta garantia. Brasileiro gasta muito com o futebol e parece não se importar com isso. A crendice no futebol como fonte de maior orgulho do brasileiro e consequentemente, de seu bem estar, transformam os gastos em nome da citada modalidade esportiva em obrigações irrecusáveis e motivo de honra.

E é um dever que ninguém se importa em cumprir. Um lazer transformado em obrigação? Ora é que o que quase todo mundo nesta sociedade infantilizada quer! Imagine um professor chegar aos seus alunos e obrigá-los a irem para o recreio? Não há coisa melhor. Sem contar que o rótulo de "obrigação" transforma esta forma de lazer em inadiável e irrecusável, não permitindo que alguém critique ou proíba as "crianças" de irem "brincar".

Esse pensamento faz com que o futebol se torne lucrativo. Por isso mesmo, a publicidade não mede esforços para associar futebol a patriotismo. E tão cedo não deixará de fazer isto. Se o mercado publicitário não fizer isso, o brasileiro, tradicionalmente obediente ao mercado publicitário, se esquecerá da associação, devolvendo ao futebol o seu aspecto de lazer supérfluo, fazendo com que os lucros dessa gigantesca galinha dos ovos de ouro não seja mais garantido.

Essa associação com patriotismo é tão urgente para autoridades e empresários que lucram com o futebol, que de uns anos para cá, se tornou obrigatório marcar jogos da "seleção" em dias cívicos como o 7 de setembro e agora no próximo dia da padroeira do Brasil, 12 de outubro. A imprensa ainda não enfatizou a "coincidência", mas para bom entendedor, um pingo é letra.

Não sabemos até quando vamos ter que engolir este mito falso do futebol-civismo. Talvez quando a população brasileira deixar de ser submissa ao que dizem e passar a usar melhor o seu raciocínio, possa perceber que sua forma de lazer favorita nada tem a ver com o nosso orgulho e o bem estar da população.

Até porque é um grave sinal de baixa auto estima usar uma forma de lazer como "nosso maior motivo de orgulho". Sinaliza que estamos ruins em assuntos de maior necessidade.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Porque a grande maioria dos esportistas são alienados?

Muita gente pode até não reparar, até porque toda a magia que cerca o esporte no Brasil acaba cegando a consciência, mas quase todos os atletas brasileiros, de qualquer modalidade esportiva, são alienados, seguem ideais conservadores e pulam fora de qualquer tipo de campanha ou manifestação que pretenda fazer alguma mudança social ou no sistema em que vivemos. No máximo, campanhas de "solidariedade" que se limitem a caridade estereotipada que consola mas não melhora nada. 

Mas porque pessoas estigmatizadas como "heróis" e cultuadas por imensas multidões perdem essa oportunidade única de usar o prestígio e a popularidade para tentar de fato melhorar a vida para a coletividade? Há uma explicação para isso.

O esporte, pelas suas características, por incrível que possa parecer, é tipicamente conservador. Sua função é através da catarse (explosão de tensões - "adrenalina"), criar uma espécie de "fuga" para permitir a permanência da estrutura do poder que existe em nosso sistema. O esporte, junto com a religião, é um grande aliado na tentativa de alienação das grandes massas.

Além disso, qualquer esporte carrega em si a defesa de valores conservadores que são interessantes para as classes dominantes:
- Valorização e estímulo à competitividade, ou seja, o forte age em prejuízo do fraco (egoísmo);
- Obediência cega e submissa a regras;
- Perfeição física e a aquisição de privilégios condicionada a isto.

Isso tudo faz com que o esporte se torne algo bastante conservador. Tanto é que em épocas de grave alienação coletiva, como na época do AI5 e nos dias de hoje, o esporte encontra seu auge. Pessoas de ideias conservadoras normalmente superestimam o esporte e muitos até acham que deve substituir a educação. O que seria de fato catastrófico, com graves danos sociais, já que além de esporte não ter sido criado para educar, suas características não permitem a sua utilização na educação de pessoas. O esporte estimula a submissão ideológica, o excesso de confiança, o egoísmo e a utopia da perfeição física, valores contrários ao de uma pessoa bem educada.

Talvez isso tudo, somado ao fato de que políticos e empresários, interessados na permanência de tudo que está de errado na sociedade, patrocinam o esporte, faz com que os atletas se tornem intelectualmente passivos, politicamente alienados e submissos ao sistema. Poucos atletas na historia mundial se envolveram em ativismos (não confundam com campanhas de "solidariedade" frouxa, a caridade estereotipada) e muitos só o fazem após a aposentadoria, como o excelente e raro exemplo do ex-jogador Romário, hoje um ativista sério, envolvido em várias causas humanitárias.

Talvez este texto tenha ajudado a entender a tão costumeira alienação de nossos atletas, verdadeiros leões durante as partidas, mas verdadeiros carneirinhos medrosos fora de suas atividades esportivas.