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domingo, 23 de junho de 2013

Porque é importante odiar a "seleção"

A onda de protestos que varre o país mostrou, entre outras coisas uma indignação com os gastos da copa. Muitas pessoas passaram a criticar o fanatismo futebolístico (em alguns casos, com exagero, é verdade), enquanto os defensores da "seleção" tentavam ainda manter intacto o laço artificial que une o futebol ao patriotismo.

Mas uma coisa é certa. Futebol é apenas lazer e para isso que foi criado. Nada tem a ver com patriotismo (isso é invenção da mídia, tradicionalmente aceita pela população, pelo menos até esta semana) e nunca deve ser priorizado diante assuntos bem mais sérios. Priorizar o futebol é o mesmo que achar que correr no pátio durante o recreio é mais importante que estudar na sala de aula.

Isso não significa que devemos deixar de gostar de futebol. Mas devemos sim, parar de levá-lo a sério e entender que se trata de uma forma de diversão, e nunca um dever cívico que faça as pessoas perderem seus focos. É imaturidade colocar uma simples brincadeira como motivo de "orgulho nacional". Dever nacional mesmo é odiar essa "seleção" corrupta, com jogadores exageradamente remunerados, "cartolas" que mais parecem mafiosos e patrocinadores e mídia que querem obrigar a todos a gostarem de futebol.

Mas e a "seleção" e seus jogadores, o que tem a ver com essa revolta? Embora muitos de seus defensores achassem bom poupar os jogadores das críticas, os fatos mostram que é bom mesmo odiá-los. 

Tachados durante décadas e décadas como "heróis da pátria", os jogadores na prática nunca agiram como tais. A cada geração de jogadores, fica mais clara a verdade de que eles nada tem a ver com patriotismo. E muitos deles agem justamente o oposto do que se espera de um herói. E diante dos protestos populares, reagiram conforme os heróis de verdade nunca fariam: se omitindo, por medo.

E as declarações dadas por ex-jogadores, técnicos e dirigentes pioraram ainda mais as coisas, levando ao extremo de um ônibus que conduzia os jogadores ser apedrejado em Salvador, onde jogou ontem. Agredir a "seleção" quando ela ainda está em alta, vencendo jogos, é algo nunca imaginado até esta semana. 

Mesmo exagerado, o ato mostra que a população já não cai mais nessa falácia de que futebol é patriotismo e que os jogadores são nossos heróis. Essa mania infantil de definir como nosso maior orgulho uma forma de diversão é algo muito imaturo. Era preciso amadurecer a população, estimulando-a a se envolver em assuntos mais sérios.

Os jogadores de futebol sempre simbolizavam a falsa felicidade brasileira. Uma felicidade que existia só na teoria, como os contos de fadas que ouvíamos nas nossas infâncias. Tido como símbolo máximo da alegria do brasileiro, o futebol nunca passou de uma fuga para os problemas reais da sociedade e seus jogadores, embora idolatrados como heróis, nunca se preocuparam de fato (a não ser uns poucos, mas fora dos gramados) com a situação sócio-econômica de seus admiradores.

E para piorar as coisas, os jogadores  não são um bom exemplo para a população. Com maior parte nascida nas favelas, pulam das classes mais baixas para as mais altas num piscar de olhos e empolgados com a riqueza repentina, conseguida sem o estressante processo de estudo que tanto angustia a maioria dos brasileiros, ostentam a sua riqueza com casas caras, carros caros e mulheres lindíssimas. O exemplo recente, Neymar, apesar de jovem, nada fez para mudar a regra, repetindo os mesmos erros de gerações passadas. Como ter como herói um cara que não serve como bom exemplo?

E essa revolta mostra que a ilusão acabou. A carruagem já virou abóbora bem antes do baile (copa de 2014) começar. Os jogadores, príncipes com cara de sapos, passaram a ser só sapos. Não servem para representar ninguém, nem mesmo para a brincadeira que o futebol é de fato.

Esqueceram de avisar aos jogadores de que a festa acontecia bem longe deles. Uma festa bem real onde ninguém vira príncipe ou sapo: vira gente de verdade, conscientizada do seu papel na sociedade.

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