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quinta-feira, 20 de junho de 2013

A verdadeira derrota do futebol brasileiro

Ontem um outro fato marcante que pode representar um divisor de águas no cotidiano brasileiro. Apesar de ter vencido de 2 a zero, a "seleção" amargou a sua pior derrota: o desprezo de boa parte da população e o fim da crença na suposta unanimidade do futebol no gosto das pessoas. Enfim a democracia chegara ao entretenimento esportivo.

Galvão e sua equipe, incluindo o (ainda) rotundo e mais burro Ronaldo, estava visivelmente abatida e apesar da vitória dos amarelos, não conseguiam esconder a decepção de uma vitória sem festa. Como disse um amigo do Facebook, a população estava ocupadíssima com algo bem mais importante. Até mesmo Milton Neves, da Band, estava visivelmente desconsolado, pois a emissora se afina com a Globo no proselitismo futebolista e na atrelagem a cartolas.

Para piorar, Pelé fez um vídeo convocando a população a trocar as passeatas pela torcida pela "seleção", algo que pegou muito mal para ele, que teve que se desculpar depois com uma mensagem ambígua e que ninguém conseguiu engolir. Balatter, "capo" da FIFA, deu declaração similar, mas claramente zangado e sem iniciativa de pedir desculpas.

Felipão, antes do jogo, havia dito que a "seleção" era o "povo" e a indignação foi publicada recentemente aqui neste blogue. Quem conhece os bastidores da CBF e a índole dos jogadores se revoltou com razão contra as declarações do técnico. Todos sabem que os jogadores, muito mais para palhaços de circo do que para "heróis da pátria", não passam de uns meros moleques vindos das favelas (nada contra favelados, mas temos que reconhecer que grande parte é tantã) e que enriqueceram de uma hora para a outra, sem saber o que fazer com as gordas fortunas recebidas.

Para coroar o festival de declarações infelizes no intuito de salvar a manutenção do fanatismo futebolístico, o ex-jogador Ronaldo, o Gordômetro, falou que copa não se faz com hospitais, como se fosse mais importante realizar a copa do que cuidar da saúde da população. Declaração infeliz que irritou até quem adora futebol.

E porque eles querem tanto que o futebol seja uma unanimidade (ou quase)? Simples: unanimidade significa um gigantesco número de pessoas, que por sua vez sugere um lucro financeiro garantido, que será recebido com muita certeza. A mídia sempre estimulou o fanatismo alienante no intuito de confundir futebol com dever cívico, pois transformando em obrigação, forças-se a população a gastar em prol do futebol ou em produtos patrocinantes, garantindo a renda que faz da CBF uma das empresas mais ricas do país.

E essa expectativa de grana garantida poderá ir para o ralo se a população se "desertar" em massa desse "dever cívico". É muito dinheiro que deixa de entrar para os bolsos dos envolvidos. 

Tolice e imaturidade transformar uma simples forma de lazer em "dever cívico" e "orgulho nacional". Quem tem o discernimento sabe muito bem que o futebol é muito mais divertido e agradável se estiver totalmente despido desse estigma de esporte "patriota". Charles Miller, quando trouxe o futebol para o Brasil, não estava pensando em criar um símbolo cívico e sim uma nova forma de diversão. E que mal há em dissociar futebol e patriotismo, duas coisas que nada tem a ver uma com o outra?

Claro que mesmo depois do ocorrido, ainda existe a tentativa, só que mais morna, de tentar chamar a população de volta a cegueira fanática do futebol-civismo. No dia seguinte ao jogo, o programa de Ana Maria Braga, que não é sobre esportes, abriu falando do tal jogo. Talvez por ser um programa feminino, tenha tentado seduzir o público feminino, supostamente considerado mais vulnerável a manipulação midiática do que os homens. Mas até isso está mudando, pois muitas mulheres preferiram os protestos que reivindicavam o bem estar real, não o bem estar fictício prometido pelo fanatismo futebolístico.

Chega dessa patriotada ridícula! Devolvamos o caráter lúdico ao futebol, uma simples diversão que chegou a ter no passado a palavra "diversão" (ludopédio) em seu nome, deixando clara a sua finalidade: de dar diversão às pessoas. Patriotismo é outra coisa e nada tem a ver com uma simples forma de lazer.

Galvão e sua patota estiveram tristes pois a realidade apareceu para eles, através de uma audiência baixa e falta de empolgação e repercussão popular. Pode ser que o brasileiro tenha finalmente decidido abandonar a sua maior chupeta, a do "patriotismo de copa" e entender finalmente que o futebol, como mera diversão, não passa de uma saudável brincadeira, contaminada até ontem pelo vírus do falso patriotismo. E assim seja.

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