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quarta-feira, 27 de março de 2013

Mídia já começa a estimular o fanatismo futebolístico

Estamos carecas de saber que para a mídia e mercado publicitário, brasileiro é sinônimo de torcedor de futebol. Eles desprezam a existência de algum brasileiro que se recuse a curtir o famoso esporte, infelizmente transformado em orgulho nacional e por isso mesmo, uma obrigação social, quase uma regra de etiqueta.

Esse desrespeito a quem não curte futebol poderia ser enquadrado em qualquer tipo de preconceito contra o ser humano, já que se a etiqueta social obriga a pessoa a gostar de futebol (com o direito de ter um time de futebol "na carteira de identidade", como se fosse um número de RG), a Constituição Federal não obriga. E no Brasil, felizmente, uma lei nunca pode contradizer a Constituição Federal. 

Mas por ser uma atividade de lazer, fica difícil reivindicar algum tipo de respeito a quem não curte futebol. Até as autoridades do Poder Executivo preferem ignorar a existência de quem não curte futebol. Quem se assume alheio ao mítico esporte fica completamente abandonado, sem apoio nem social, muito menos legislativo. O que resta para quem não curte futebol é se isolar e viver como eremita, procurando se divertir sozinho na base do improviso, já que ninguém está disposto a oferecer alternativas ao futebol.

Por causa do medo de isolamento, muita gente que não curte de fato, resolve aderir, fingindo torcer para determinados times ou se comportar nas copas feito um idiota só para se sentir incluído socialmente. Baseados naquele famoso ditado "se não pode vencê-los, junte-se a eles", muita gente que preferia estar fazendo outra coisa, se transforma em torcedor de proveta só para que possa usufruir dos benefícios da vida social, aderindo a maioria. Até porque para eles, não faz mal algum fingir que se gosta de futebol.

Mas poderia ser diferente, pois se essa camada da população que finge gostar de futebol (composta majoritariamente por mulheres) se unisse aos que se recusam a aderir, poderíamos ter uma verdadeira revolução social, alterando costumes e tirando do futebol o atributo de "obrigação social", devolvendo ao mesmo o caráter de mera forma de diversão.

Mas enquanto isso não acontece, já que brasileiro é povo medroso e prefere obedecer líderes, instituições e maiorias, quem não curte futebol deve aguentar a avalanche de propagandas feitas por inúmeros programas de TV e sites de internet, estimulando o fanatismo futebolístico que transforma o mesmo em obrigação social. Por muito tempo ainda teremos que suportar pessoas nos cobrando ter um time de futebol "no coração" ou agir feito um imbecil em tempos de copa, fantasiando feito crianças que um simples titulo no futebol irá nos trazer a suposta dignidade que não conseguimos ter em setores mais sérios do cotidiano.

Infelizmente, o Brasil é um hospício e quando os loucos estão no poder, os normais é que são considerados loucos e abandonados. E aguentando toda a loucura futebolística vomitada em nossas caras, sem a nossa desprezada permissão.

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