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domingo, 10 de março de 2013

Futebol e diversidade

 
O  Brasil é um país com vocação para a diversidade. Enorme e com uma população de origens e características bem diferentes, deveria haver uma priorização à variedade em todos os setores e assuntos.

Mas pelo que parece, a população brasileira tem uma silenciosa raiva de ser diversificado. tenta, através de regras e preconceitos, eliminar a diversidade, padronizando costumes e características. E o auge disso se observa no gosto esportivo, praticamente monopolizado pelo futebol.

Porque numa sociedade que se pretende tão diversificada, no gosto esportivo, ainda queremos ser padronizados, consagrando o monopólio do futebol, desrespeitando aqueles que preferem não aderir a popularíssima modalidade esportiva?

Na verdade, está consagrada a ideia de que o futebol não é uma forma de lazer mas, pasmem, uma obrigação cívico/social. Muitos sem admitir, gostam de futebol mais por obrigação do que por prazer, já que acreditam que se ficarem alheios a essa modalidade, não terão acesso aos benefícios que a vida social traz.

E claro, graças a isso, gostar de futebol facilita a vida social. Até mesmo emprego e namoradas são muito mais fáceis de conquistar quando se gosta de futebol, pois além do fato de gostar ser considerada uma demonstração se simpatia, as oportunidades de conquista de emprego e de vida afetiva são ampliadas.

Por esse poder de facilidade social é que o futebol, mesmo sendo um esporte sem graça, praticado por "profissionais" de baixíssima escolaridade e costumes duvidosos, tem essa capacidade de obrigar a adesão de uma gigantesca parte das massas. E isso dificulta a popularização de outras modalidades, criando um monopólio que nada combina com nossa vocação à diversidade.

Em épocas de copa, por exemplo, quem não curte futebol se sente sozinho e entediado. Autoridades e mídia radicalmente abandonam quem não curte futebol, que tem que se virar para se divertir - e sozinho, já que a maior parte, acreditando estar servindo a um dever cívico, não vai largar o hipnotizante evento por causa de amigos. Futebol não é patriotismo de fato, mas para muita gente é e é uma "honra" largar amigos para "torcer" pela "nação", já que a mídia já se esforça para confundir "seleção" e país para forçar a associação, garantindo a adesão quase total das massas, e consequentemente os lucros financeiros de quem se envolve com a copa e a alienação populacional.

Por isso  também que a olimpíada é muito meno prestigiada que a copa. Estranho, pois a olimpíada tem uma diversidade que não há na copa, já que esta se refere apenas a UMA modalidade esportiva, enquanto a olimpíada é mais democrática em matéria de gostos por esporte.

É melhor que a população medite a respeito disso. Porque temos que ter diversidade em tudo e não no esporte? Não deveríamos respeitar as pessoas que não curtem futebol, dando a elas os mesmos direitos de divertir e de sociabilizar do que as que curtem? 

É chato ver que neste setor ainda não alcançamos a democracia.

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