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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

A Taça das favelas (ou é para isso que servem os pobres)

A Globo, sempre na sua empenhada campanha eterna de tentar transformar o futebol em unanimidade (a Globo é dona da CBF, que sustenta e lucra com isso), resolveu organizar a Taça das Favelas, campeonato com times organizados nas favelas, talvez se lembrando das origens pobres da maior parte dos jogadores brasileiros. A iniciativa supostamente tem a intenção de levar dignidade aos favelados. Mas as verdadeiras intenções da Globo passam bem longe da finalidade alegada.

Como sabemos, o futebol é um excelente meio de manipulação. Além de estimular a competitividade (que estimula o egoísmo), a perfeição física (desde que do pescoço para baixo, a maioria dos jogadores de futebol são feios de doer), estimula a alienação, pois faz acreditar que a vitória de um time ou da "seleção" traz qualidade de vida para quem torce por ela, tese que já foi inúmeras vezes desmentida, embora a crença nela ainda pudesse ser mantida. No Brasil, futebol não é apenas um esporte: é um misto de orgulho cívico, dever social e valor moral defendidos com unhas e dentes até a morte.

E a Globo sabe muito bem disso. Nunca perde a oportunidade de inserir o futebol mesmo em assuntos alheios a modalidade esportiva. Numa reportagem sobre doenças cardíacas, perderam muito tempo falando sobre um torcedor fanático pelo Corinthians que estava se submetendo a um tratamento cardiológico, com direito a muitas informações inúteis. Para estimular o fanatismo como "hábito saudável" vale tudo.

E o povo pobre, facilmente manobrável pela baixa capacidade de discernimento estimulada pela péssima educação que recebe, são presas fáceis para os pedradores midiáticos. Como são rebeldes em potencial por não terem acesso a uma vida realmente digna, a mídia sempre se esforça para tentar manobrar e amordaçar as classes humildes, emburrecendo-as cada vez mais para que não percebam as injustiças de que são vítimas.

E nada melhor que o futebol, que como falei, carrega junto uma coleção de "bons" valores que faz com que os simpatizantes desse esporte acreditem estar contribuindo para a melhoria social que não acontece de fato. E esta Copa das favelas vei a calhar. Ainda mais numa época de apologia da pobreza, onde os favelados "subiram" de classe sem perder qualquer uma de suas características. Principalmente a escassez de discernimento.

Esta Copa das Favelas pode até servir de entretenimento para quem participa ou assiste. Mas não vai trazer dignidade para o povo pobre. Pensem comigo: será que vamos passar mil anos achando que para um pobre subir na vida é somente através de batuques em tambores e chutes em uma bola? Como se nas favelas não existissem pessoas capacitadas para fazer outras atividades, sobretudo as de liderança?

Vamos parar com esta mentalidade e mostrar outras realidades ao povo pobre para que ele realmente se eduque e não fique limitado a esta rotina tosca e monopolista de futebol-popularesco-religião a que todo povo pobre é condenado a se enclausurar. O mundo é muito maior do que qualquer pobre é capaz de imaginar. Esconder dos pobres o mundo real, isso sim é que é crueldade.

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