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domingo, 22 de julho de 2012

Futebol, obrigação social

Para quem não curte futebol no Brasil, a vida social é um tanto sinuosa. Futebol, para a maioria das pessoas em nosso país, não é apenas uma forma de lazer. É uma forma de socialização, encarada com uma certa obrigatoriedade. Não curtir futebol é entendido como antipatia e falta de amor ao próximo.

Por isso mesmo uma grande quantidade de pessoas se apressa e escolher um time "do coração" (entre os times mais bem sucedidos de sua cidade), pois essa já é a primeira exigência social para quem quer se sentir "incluído" na sociedade. Não ter um time, é o mesmo que não ter um RG ou CPF.

Na Constituição Federal, não há uma lei que obrigue alguém a gostar de futebol. Pelo contrário. A lei garante o direito de não gostar, já que...


TÍTULO II
Dos Direitos e Garantias Fundamentais
CAPÍTULO I
DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS

Art 5, II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;

Mas, mesmo assim, a tradicional mania do povo brasileiro de achar que leis dão a sensação de "organização", trataram de transformar as regras sociais em leis rígidas, mesmo não escritas em uma Constituição ou coisa parecida. Muitas regras sociais são cobradas de forma bem rigorosa, como se fizesse parte da Constituição Federal. A consagração da regra e sua rigidez faz com que muita gente, que ainda não leu inteiramente a Constituição pense que esteja escrito nela, tamanha é a sua força.

Essa rigidez faz com que a sociedade quase como um todo a obedeça, aderindo sem pestanejar ao futebol. Até mesmo mulheres descobriram a força dessa lei social e aderiram em massa, pelo menos durante os campeonatos mundiais conhecidos coimo "copas do mundo". Mas cotidianamente já é maior o número de mulheres que resolvem aderir ao futebol. Só isso serve como exemplo da força do futebol como compromisso social.

Numa sociedade como a brasileira, que gosta de modismos, que faz com que muitos imitem a maioria com a ilusão de serem incluídas por causa disso, a adesão ao futebol só poderia ter mesmo essa força, hipnotizando as massas como nenhuma outra atividade, principalmente as mais sérias conseguem fazer.

O preconceito aos que não curtem

A sociedade começa a evoluir em alguns aspectos, difundindo o respeito à diversidade e à certas minorias. Mas isso ainda não acontece quando o assunto é futebol. Em muitos casos, tenta-se criar uma associação entre futebol e essas minorias, como se até estas fossem obrigadas a curtir o futebol para serem respeitadas.

Mas quem se assume alheio ao futebol, é desrespeitado, desprezado e tratado como alguém capaz de prejudicar os outros. Estes, não são sequer mencionados pela grande mídia (sobretudo pela Rede Globo, que difunde a absurda ideia que diz que viver no Brasil e ser torcedor de futebol são sinônimos). Uma verdadeira ofensa que deveria ser apoiada pela lei de racismo, graças ao preconceito contra a "raça" dos não-torcedores de futebol.

Vai demorar muito para a sociedade aceitar que o futebol é mero lazer e não uma obrigação social ou cívica. A submissão da população pela grande mídia, sobretudo a televisão, a faz obediente ao que é difundido por ela. E a mídia ainda não deu sinais de que vai deixar de impor o futebol como obrigação. Futebol movimenta muito dinheiro e obrigar todos a gostar de futebol é obrigar todos a pagar por ele, mesmo que sejam os produtos que os patrocinadores anunciam durante os jogos. A mídia não quer abrir mão desse lucro fácil e garantido.

Cabe aos que não curtem encontrarem uma forma simpática de explicar aos que curtem sobre o direito de não gostar. Pode-se até usar o humor. Mas se isso não adiantar e o torcedor, chateado, achar que isso é uma heresia, pode se usar a lei que coloquei acima, justificando o direito de se divertir da forma que quiser, não tendo que seguir a imensa maioria.

Sempre acreditei que lazer é fonte de prazer. Até rimam. Se uma forma de lazer não dá prazer, para quê aderir? Para agradar aos outros? Para deixa de ser você mesmo?

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