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terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Os blogueiros progressistas e o futebol - parte 1

A natureza não dá saltos. Quando uma ideia ou hábito se torna arraigado na sociedade, ela custa a desaparecer. Os brasileiros adoram tradições, na verdade são modismos duradouros. Acredita que a durabilidade de uma ideia ou hábito a torna legitima.

O futebol é a maior das tradições brasileiras, tratada não como uma forma de lazer mais um dever cívico/social. Por isso é muito levado a sério, chegando a definir a vitória de um time ou da "seleção" como "qualidade de vida" da população. O que é um grande erro infantil, se lembrarmos da futilidade do esporte, caracterizado por ter uma maioria de jogadores e torcedores de baixíssima escolaridade, devido a facilidade de compreensão de suas regras.

E justamente pela tradicionalmente excessiva importância dada ao futebol, que o mesmo ainda aparece nas pautas de blogues de esquerda, de maneira positiva, como se o sucesso do futebol pudesse dar vida melhor a população, quando na verdade só serve de fuga dos problemas. É um esporte de medrosos.

Blogueiros de esquerda não enxergam que futebol é instrumento de manipulação capitalista

Do mesmo modo que acontece com o popularesco - se bem que o futebol é um esporte popularesco, mas curtido por aqueles que odeiam a música popularesca - , o futebol é um instrumento de manipulação do capitalismo. Não o lazer em si, que é muito saudável e aceitável, mas a sua obrigatoriedade, a sus transformação em algo sério, que influencia as mudanças do cotidiano, sem influenciar de fato.

A exagerada importância dada ao futebol tem feito com que muitos blogueiros progressistas se incluíssem a boa atuação de equipes como um item de "qualidade de vida". Como se a população, além de casa, comida e roupa lavada, quisesse ver seu time ou a "seleção" campeã de algum torneio. A vitória de alguma equipe passa a ser vista como "artigo de primeira necessidade". Um absurdo que só acontece em uma sociedade onde até os diplomados em nível superior demonstram alguma ignorância cultural.

Neste pensamento ingênuo, os esquerdistas passam a achar que o futebol é uma espécie de redenção do povo pobre, como se a "alegria" do futebol pudesse tirá-lo da miséria. Aí vem a defesa dos esquerdistas em relação ao tal esporte, se esquecendo de todo o processo que rola nos bastidores ou , caso se lembre deste, dissociá-lo do esporte em si, imaginando que a atuação dos jogadores possa existir sem as armações feitas por cartolas.

Futebol é sim capitalista - e como!

O futebol é um excelente meio de ganhar dinheiro e de manobrar as massas. Mantém a população paralisada - ainda mais paralisada do que na música popularesca - transformando-a num consumidor garantido de itens relacionados diretamente ou não ao futebol. Um dinheiro garantido na mão dos envolvidos, que nunca falta, pois os torcedores, imersos no fanatismo, preferem morrer de fome do que deixarem de gastar cornetas, uniformes, aparelhos de televisão e até cerveja, todos ingredientes quase indispensáveis para que a curtição futebolística se torne plena e - supostamente - prazerosa.

E esse lucro garantido gerado pela hipnose midiática é que mantem esse hábito, que de uma certa forma soa bom para os dois lados, embora de lucros forçados para cartolas, mídia e empresários e falsas alegrias para o torcedor, numa ilusão que a longo prazo pode se converter em decepção.

Porque os esquerdistas apoiam o fanatismo futebolístico?

Simples: por ingenuidade. O futebol, para eles, como eu havia falado, representa qualidade de vida a população carente, que na sua escassa capacidade de discernimento, prefere colocar uma alegria de mentirinha, para substituir a alegria real que não consegue alcançar. Como uma criança solitária que cria um amigo imaginário para poder brincar, carente de uma boa companhia.

Mas daqui a algum tempo, não demora muito, as esquerdas terão que reconhecer a poderosa e bem sucedida capacidade de manipulação do futebol e seus trametes que acabam por garantir esse inesgotável lucro que vai direto para as contas dos controladores e patrocinadores do esporte mais popular do país.

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