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quarta-feira, 23 de junho de 2010

Tenho vergonha de ser brasileiro

Justamente foi isso que vocês leram. Eu tenho vergonha de ser brasileiro. Sobretudo nesta época de copa, em que vemos a verdadeira cara do brasileiro: acomodado, submisso à mídia e aos valores sociais e completamente alheio à resolução dos problemas do país. Um povo que ao invés de resolver os seus problemas, utiliza o fanatismo de copa como tapa-buraco de seus problemas. Um típico comportamento de quem é acomodado e tem a auto-estima em níveis bastante reduzidos.

Um povo que não tem o senso do ridículo de comprar bandeirinhas, cornetas e até caríssimas TVs, para satisfazer aquilo que é entendido de maneira errada como "dever patriótico". Desde quando uma simples diversão é "dever patriótico"?

Nesta época todos ficam hipnotizados por uma mera equipe de futebol conhecida apenas como "seleção" ou como "Brasil", como se fosse toda a nossa população que estivesse correndo nos gramados de um estádio de futebol.

Já falei das incoerências dos fanáticos por copa e isso me envergonha. É uma demonstração clara e evidente de que o povo brasileiro é IMATURO e que essa asneira de acreditar na conquista de um campeonato como "salvação da pátria" é típica de bebê de 2 aninhos de idade. Melhor, talvez não. Há bebês muito mais maduros do que muito adulto em nosso país.

O povo brasileiro chega a ignorar e até negar coisas importantes só por causa dessa maldita copa. Em Minas Gerais, uma Universidade (sabiamente, acreditem) marcou o dia da prova para o mesmo horário do jogo da "seleção" brasileira. Boa parte dos que iriam fazer a prova ficaram revoltados e decidiram faltar. Otários. Foi bom para quem fez, que teve que enfrentar menos concorrentes. Os imbecis não sabem que a vitória da "seleção" não melhora a vida de ninguém, mas a aprovação em um vestibular melhora a vida de quem faz (e muito). No mínimo, o cara vai sair com um diploma que se não garantem pelo menos facilita o ingresso no mercado de trabalho.

E a conquista de uma copa? Posso chegar ao contratante e dizer "pô a 'seleção' ganhou e eu dei a maior força, torci pra cacete, dá esse emprego para mim?"? Com certeza o contratante, que não é nenhum otário, vai negar.

O povo brasileiro é tão trouxa e alienado que ficou muito feliz quando soube da conquista do Brasil do direito de sediar a copa de 2014 e a olimpíada de 2016, sem ter condições para isso. Parece que os alienados acreditam que os recursos virão do céu, patati-patatá... Costumam usar desculpas frouxas e até surreais para argumentar porque gostaram dessa conquista.

Na verdade esses recursos virão de desvios de verbas, acordos ocultos e corte de gastos em coisas como saúde e educação.

E o que eu espero desse povo? Nada. os problemas irão continuar, do jeitinho que estão. Talvez até piorem. Sabendo disso tudo, as autoridades querem investir mais e mais em entretenimento (circensis) para compensar (e bem mal) o fato da população não ter direito ao necessário (panis). Por causa disso, o Brasil se tornou a potência do entretenimento. E aí vem, além das citadas copa e olimpíada, "Lollapalooza Brasil", "Hola Brasil", "Maxim Brasil", "Fashion Rocks Brasil", "Tributo à Michael Jackson Brasil","Escambau Brasil", "Raio que o Parta Brasil", "Vai te à Merda Brasil" e por aí vai.

Tenho vergonha de ser brasileiro. Um povo bobo, alienado que ache bonito ser brega e pobre. Um povo idiota que coloca o fanatismo por 11 amarelados acima de qualquer coisa. Um povo que fala mal de um político para votar no mesmo cafajeste que ele criticou. Um povo que confia cegamente numa rede de televisão comandada com mãos de ferro por egoístas que tem o único objetivo de engordar suas contas bancárias. Um povo com baixíssima auto-estima que acha melhor festejar antes de arrumar a casa, que a diversão vai resolver todos os seus problemas.

Eu deveria ter nascido na Escandinávia. Não por acaso, lá possui os maiores índices de Desenvolvimento Humano do planeta. Lá ninguém tem o equivocado orgulho de ser brega e pobre. Lá, quem sai da faculdade sai com emprego garantido. Lá, as mulheres se casam por amor, não por dinheiro ou por estarem acostumadas (viciadas) por homens sem qualquer valor moral ou intelectual. Lá a dignidade é a regra.

Sinceramente, tenho vergonha de ser brasileiro. Mas como não tenho dinheiro para sair daqui e começar a vida no exterior é muito difícil (ainda mais que brasileiro tem a imagem de idiota lá fora - vão me encher o saco com coisas do tipo: "caipirinha?", "cachaça?", "Ronaldo", "dance um sambinha pra gente ver?"), fico por aqui aguentando essa merda, cercado de idiotas por todos os lados.

Pelo menos evito me meter em encrenca: não bebo álcool (por convicção própria - gosto de estar sempre sóbrio), não vou a noitadas, não tenho automóvel, não provoco brigas gratuitas (quem discorda de mim é que sempre começa a briga, quando há), pago meus compromissos em dia e procuro controlar - rigorosamente - os meus gastos. Faço o mínimo para tentar me manter de bem com a sociedade e comigo mesmo.

Mas olho ao redor e fico triste em saber que por causa de uma fútil festa cheia de bebedeira, por causa da vitória de uma equipe, algo banal, que não tem a menor utilidade para o cotidiano e o desenvolvimento de nosso país, a população chega a ter uma dedicação quase que mortal, coisa nunca vista em ocasiões realmente sérias.

Nesta época é que se conhece a verdadeira cara do brasileiro. Uma cara que envergonha aqueles que gostariam de ver o Brasil bem próspero. Por isso que um país grande, cheio de recursos, de matéria prima, variedade de alimentos e variação climática, vive na interminável miséria e gama de injustiças. É o país em que boas idéias fracassam e idéias cretinas (como o "patriotismo" de copa) prosperam.

Tenho vergonha de ser brasileiro. Tenho vergonha de viver em um país onde a burrice está na moda, onde sofrer é felicidade e ser pobre é motivo de orgulho.

É como eu disse antes. Eu não vivo em um país, eu vivo em um hospício.

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